No Paraná

Ato reúne 5 mil pessoas para lembrar os 30 anos da violência de Álvaro Dias

Diferentes categorias se uniram ao ato para denunciar o golpe e o aumento da violência contra mulheres e juventude negra

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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O ato também lembrou o massacre dos professores em 29 de abril de 2015 promovido por Beto Richa / Giorgia Prates

Na manhã desta quinta-feira (30), a APP sindicato promoveu um ato na praça Santos Andrade, em Curitiba (PR), em memória ao confronto entre os professores da rede pública de ensino do Paraná e a polícia militar do estado sob o comando do então governador, Álvaro Dias. O fato, ocorrido no dia 30 de agosto de 1988, se tornou um marco da luta dos professores por melhores condições de trabalho.

Na ocasião, os docentes se manifestavam por reajustes salariais e foram agredidos pela cavalaria da polícia militar, cães e balas de borracha. O ato também lembrou o massacre dos professores em 29 de abril de 2015 promovido por Beto Richa, que recebeu as reivindicações do professorado com truculência. 

Após o ato, a categoria se reunirá com a governadora em exercício, Cida Borghetti onde serão levadas pautas específicas do professorado do estado, como o pagamento da data-base e4 o consequente reajusta salarial e o combate às práticas anti-sindicais, reivindicando a anistia das faltas por motivos de greve e paralização.

Por um Estado Democrático de Direito

Hermes Leão, presidente do sindicato, declara que o ato, além de lembrar e denunciar a truculência do estado do Paraná com os docentes, também pretende dar visibilidade à crescente violência a que as mulheres e os jovens, principalmente negros e de periferia, vêm sendo expostos cotidianamente após o golpe depôs a presidenta Dilma, em 2016.

“Estamos denunciando a violência no cotidiano das escolas precarizadas, do adoecimento dos professores, da violência da sociedade conforme a matança de juventude nas periferias das cidades, especialmente a juventude negra. A matança de mulheres numa sociedade machista, onde, no currículo escolar, a gente não consegue fazer debate de gênero”, expõe o dirigente sindical que acrescenta que o ato se manifesta por uma sociedade onde o Estado de Direito não seja apenas uma teoria, mas uma prática. 

Francisco Antônio Rauber tem 60 anos e é conhecido como Professor Chico. Professor de história e geografia aposentado da cidade de Toledo, esteve presente nos dois momentos de violência contra a classe e relata que foi muito parecido. “Em 29 de agosto de 1988, numa manifestação, nós já tínhamos sido tratados com hostilidade pela polícia e alertamos quem vinha do interior que poderia haver derramamento de sangue. Estive presente também no dia 28 de abril de 2015 e, novamente alertamos nossos colegas de que poderia ocorrer violência no dia seguinte. Tivemos que rebocar um carro da polícia militar para que o ônibus da APP pudesse chegar ao palácio do governo”, conta o professor. Segundo ele a pauta do 30 de agosto de 1988 era aumento e reajusta salarial.

Edição: Laís Melo