Música

Coluna Bafafá | A sessentona...

Viva a diva contra o machismo, repressão e caretismo

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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Madonna quebrou muitos tabus, invertendo muitos papéis tradicionalmente masculinos e afirmando que o lugar da mulher é onde ela quiser / Foto: Reprodução

Grande rainha do pop, Madonna completou no último dia 18 de agosto seis décadas de vida com uma carreira artística fenomenal - que lucrou bilhões - e uma vitalidade impressionante. Desde 1983, quando começou sua carreira, Madonna nunca deixou de gravar álbuns de sucesso, cada um com um renovado conceito. Não é por menos que todas as outras cantoras do mundo pop, de alguma forma, trazem uma referência à Madonna. 

Sem dúvida, Madonna tornou-se o grande ícone que é porque, além de sua música, com canções imortais e performances incríveis, seu estilo sempre inovador e personalidade marcante, ameaçou os padrões e normalidades desde que despontou para o sucesso na década de 80.  

Com muita sensualidade e erotismo, antes uma garota e agora uma mulher –  e contra muito machismo, repressão e caretismo – Madonna quebrou muitos tabus, invertendo muitos papéis tradicionalmente masculinos, afirmando que o lugar da mulher é onde ela quiser. A girl power dos anos 80 é um marco para a emancipação das mulheres. E também não é à toa que Madonna é exaltada pelo público LGBT. Ela foi a primeira grande popstar a defender abertamente a causa e encabeçar campanhas de doações na chamada época da epidemia da Aids. E quem não se lembra das suas polêmicas com a Igreja Católica? A cantora sempre abusava de símbolos religiosos, denunciando, muitas vezes, a hipocrisia e atraso em muitas instituições e doutrinas. 

Sessentona, Madonna se mantém firme no alto do seu pedestal, mesmo que alguns, aqui e acolá, tentem derrubá-la, considerando-a velha e ultrapassada. Ultrapassada? Jamais: até o fim do ano teremos um novo álbum seu. 

E nessa homenagem aos 60 de Madonna, lembramos ainda outra rainha que nos deixou essa semana e que também influenciou a nossa diva do pop: Aretha Franklin. Poderosa voz da música soul, nos deixou no último dia 16. Para quem não a conhece, fica a sugestão de ler a biografias dessa mulher, negra, sofrida; mas lutadora e que encantou o mundo! Viva nossas rainhas!

Um abraço.

*Felipe Marcelino é professor de filosofia.

Edição: Joana Tavares