Povos tradicionais

Indígenas retomam terra em São Joaquim de Bicas (MG)

Aldeia Naô Xohã surgiu para recuperar terra degradada e proporcionar uma vida melhor para famílias

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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Os indígenas Naô Xohã viviam no meio urbano, trabalhando em casas de família e outras ocupações / Foto: Reprodução/Indianiza BH

Um grupo de 30 indígenas, sendo nove crianças ou idosos, decidiram criar uma comunidade em São Joaquim de Bicas, Região Metropolitana de Belo Horizonte. A aldeia, que surgiu de ocupação feita em novembro de 2017, reúne diferentes etnias e recebeu o nome de Naô Xohã, que na língua patxohã significa “espírito guerreiro”. A área fica perto do Acampamento Pátria Livre, do MST, em terras exploradas pelo empresário Eike Batista e a mineração. 

“A terra está muito degradada, ainda não dá para viver dela. O rio está poluído e tem que ser salvo. Temos que estar lá para guardar o rio Paraopebas, o resto de mata que ainda tem e parar essa mineração”, afirma a professora Avelin Buniacá Kambiwá, da etnia Kambiwá, de Pernambuco. Ela explica que, além de recuperar a terra degradada, eles pretendem conquistar condições de vida que a cidade não oferecia. 

As famílias de Naô Xohã viviam no meio urbano, sobretudo em Belo Horizonte, trabalhando em escolas, casas de família, bares, construção civil, no artesanato e outras ocupações. Pela precariedade do local, o grupo está recebendo doações: água, panelas, roupas de cama, materiais de construção e outros bens. As contribuições podem ser entregues na sede da Federação Indígena: rua São Salvador, 25, Lagoinha, BH. 

Ser indígena 

No último censo do IBGE – Instituto Brasileiro de Economia e Estatística, em 2010, havia 817.693 indígenas no Brasil, dos quais 502.783 vivem no meio rural e 315.180 no meio urbano. Em Minas Gerais, de acordo com o Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva, há 13 etnias, pertencentes ao tronco lingüístico Macro-Jê, com cerca de 15 mil indivíduos aldeados. 

Só na capital, segundo o IBGE, há 3.477 membros de alguma etnia indígena; em Uberlândia, 926; em Contagem, 810; em Ribeirão das Neves, 677; em Betim, 498. Já o número de aldeias costuma variar, por conta das migrações e formação de novas aldeias. Em todos esses lugares, um dos grandes problemas enfrentados é o preconceito. 

“Aqui em Minas, pensam que indígena não existe. Ser indígena é estar totalmente enraizado na mãe terra. Quando ela morre, você morre um pouco. É senti-la muito viva, ter a espiritualidade ligada nela, saber que não estamos aqui por acaso. Você pode ir para a cidade, que você vai carregar isso dentro de você. Tem indígena claro, escuro, até de olho claro! O que faz o indígena é a cultura, não é a cor da pele, o cabelo”, afirma Avelin Buniacá. 

Edição: Joana Tavares