EDUCAÇÃO

No estado do Rio, profissionais da educação realizam greve em quatro municípios

São Gonçalo, Petrópolis, Cachoeiras de Macacu e São Pedro da Aldeia estão entre as cidades que aderiram ao movimento

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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Em Petrópolis, grevistas ocupam as ruas da cidade para exigir melhores condições de trabalho / foto: reprodução

A busca por melhores condições de trabalho, valorização profissional e respeito ao Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) estão no eixo central das reivindicações dos profissionais da educação de diversos municípios do estado do Rio de Janeiro que aderiram ao movimento de greve. Nas cidades de São Gonçalo e Petrópolis a paralisação já dura quase um mês.

Apesar da distância de 86 quilômetros que separa os dois municípios e das peculiaridades de cada região, ambos enfrentam sérios problemas na área da educação municipal. Michele Alvarenga é professora da rede municipal de São Gonçalo e integra a direção colegiada do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (SEPE). Segundo ela, a greve no município está com adesão de 80% e uma das principais pautas é a reposição salarial dos servidores que chegam a receber menos do que o piso mínimo.

“O que foi tirado como eixo desta greve específica de agosto para cá foi que o governo cumpra as leis. Que leis são essas? As nossas merendeiras recebem hoje R$ 788 de salário base por 30 horas de trabalho. As auxiliares de creche R$ 1.028 por 40 horas de trabalho e os professores recebem R$ 933 por 22 horas de trabalho. Como deu para perceber, a grande maioria dos nossos servidores recebe um salário base menor do que o salário mínimo”, ressalta.

Em Petrópolis, na região serrana do estado, a reposição salarial também foi o que desencadeou o início da greve em 31 de julho. Segundo o SEPE Petrópolis, a categoria entra no terceiro ano sem reposição salarial, somando uma perda de 14% que se acumula desde 2016. Em outubro de 2017, o Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) foi modificado prejudicando ainda mais os professores que têm dupla matrícula.

Daniel Salomão que é o atual coordenador geral do SEPE de Petrópolis explica que entre as reivindicações da categoria também estão a incorporação do triênio e quinquênio, o enquadramento por graduação e o provimento de vagas com os aprovados no último concurso.

“Os contratados giram em torno de 400 e poucos. O Executivo não chama os concursados e em lugar disso coloca os contratados que recebem menos e não têm os mesmos direitos dos concursados”, destaca.

Além de São Gonçalo e Petrópolis, os municípios de Cachoeiras de Macacu e São Pedro da Aldeia também aderiram a greve na educação. No Rio de Janeiro, os profissionais do setor educacional farão uma greve de advertência nos dias 12 e 13 de setembro. Entre as pautas estão o reajuste salarial de 13%,  a paridade e integralidade de aposentados e pensionistas, que também está presente nos outros movimentos.

Posicionamento

A reportagem entrou em contato com a assessoria de comunicação da Prefeitura de São Gonçalo. Por meio de nota, a equipe informou que durante uma reunião com o Ministério Público foi apresentada uma proposta para a adequação do piso salarial, que deverá ser entregue para a apreciação do sindicato ainda nesta semana.

O Brasil de Fato não obteve retorno da Prefeitura de Petrópolis sobre a greve.

 

Edição: Mariana Pitasse