OPINIÃO

Editorial | O impeachment antes da eleição

Passados dois anos do golpe, agora o impeachment vem antes da posse e mesmo antes do pleito

Brasil de Fato | Porto Alegre (RS)

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Charge / Santiago

Dois anos atrás, Dilma, eleita com 54 milhões de votos, foi removida do poder através de um impeachment sem crime de responsabilidade. Portanto, um golpe. Em 2018, o impeachment vem antes da posse e mesmo antes do pleito. É o que observa um de nossos entrevistados na matéria de eleições desta edição. O golpe, aqui, é desferido pelas mesmas forças que depuseram Dilma, porém contra Lula. Sua prisão, depois de processo canhestro, só aconteceu para impedir que vença já em primeiro turno. É o que, aos poucos, fica claro até para alguns daqueles que se iludiram com as ruas verde-amarelas e os atos de “combate à corrupção”.  

É um dos elementos dissonantes que permeiam a campanha de 2018, crivada de disparates. Que não se tornam ainda mais aberrantes por obra e graça da imprensa empresarial que esconde os detalhes mais reveladores do absurdo que estamos vivendo. Desprezou, por exemplo, os gestos do Papa Francisco ao revelar sua simpatia por Lula. Procurou desacreditar o comitê das Nações Unidas que afirmou o direito do ex-presidente concorrer. Ocultou – e prossegue ocultando – as manifestações de juristas, políticos, chefes de estado, intelectuais e artistas de todo o mundo em favor de Lula. Sonegou as imagens da grande marcha que coloriu Brasília de vermelho para registrar sua candidatura.

Menos mal que, como apontam as pesquisas, o enlace mídia&judiciário e seu punitivismo seletivo, estão perdendo credibilidade. A ponto de não conseguirem impulsionar o candidato que mora no lado esquerdo do seu peito, hoje sob risco de não alcançar o 2º. turno. Talvez nem mesmo o impeachment antecipado possa resolver seu drama.

 

Edição: Marcelo Ferreira