MOBILIZAÇÃO

Editorial | Desigualdade gera violência: basta de privilégios!

A 24ª edição do "Grito dos Excluídos" sai às ruas no próximo dia 7 de setembro

Brasil de Fato | Recife (PE)

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Desde 1995, o Grito dos Excluídos movimenta Pastorais Sociais e movimentos populares / Vinícius Sobreira

Ao longo dos seus 24 anos de existência, o Grito dos Excluídos vem se consolidando como um reconhecido processo de resistência, tanto pelas lideranças religiosas e políticas, movimentos sociais, sindicais, estudantis e populares que participam desde o início do seu processo de organização e realização, como também é referenciado pelo conjunto da sociedade que vai às ruas no 7 de setembro para denunciar a exclusão social e as desigualdades sofridas pelo povo brasileiro cotidianamente.  

Este ano o Grito tem como tema: "Desigualdade gera violência: basta de privilégios", em sintonia com as pesquisas que revelam ser a desigualdade e a violência progressivos problemas sociais, com profundas implicações para o pleno desenvolvimento da vida. 

Dados divulgados pela ONG britânica OXFAM, em janeiro de 2018, indicam que, no mundo, 61 pessoas bilionárias detêm uma riqueza igual a 50% da população. No Brasil, cinco bilionários concentra a riqueza equivalente ao que tem metade da população brasileira. Importa destacar também que a taxa média anual de desemprego subiu de 11,5% em 2016, para 12,7% em 2017, contabilizando no Brasil 13,2 milhões de desempregados (IBGE 31/01/2018).

Já o Mapa da Violência de 2016 mostra que, no Brasil, cinco pessoas são mortas por hora, com arma de fogo, ou seja, 120 por dia. Além disso, com 726 mil pessoas presas, o Brasil é o terceiro país no mundo com mais encarcerados, depois dos EUA e China. Destes, 64% têm entre 18 e 29 anos de idade e 40% são presos provisórios, sem condenação judicial. Os dados são do Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias divulgado em dezembro de 2017, pelo Departamento Penitenciário Nacional, do Ministério da Justiça.   

Além das questões de ordem econômica e social, o Grito dos Excluídos vem exercendo um forte papel de crítica à condução política do país. Em 2017, por exemplo, o evento teve como síntese política a defesa da democracia e a luta contra os retrocessos dos direitos sociais, situando o debate no contexto do golpe de Estado que tem se consolidado no Brasil desde o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff.  

Assim, o 7 de setembro, para além de um dia de festa e celebração, foi se tornando também em um dia de consciência política de luta por transformações sociais, ao mesmo tempo em que cumpre o papel de denunciar o modelo de sociedade capitalista que concentra as rendas e riquezas e condena milhões de trabalhadores e trabalhadoras à exclusão social.    

Entre as expectativas para o Grito que se avizinha estão a possibilidade de proporcionar um dia de reflexões sobre a conjuntura brasileira atual e as suas implicações para a vida do povo brasileiro. Entretanto, coloca-se como primordial o diálogo com os trabalhadores e trabalhadoras sobre a necessidade de tomar o destino do país nas próprias mãos. 

Em Recife, o grito sempre foi esse momento para reagir e não será diferente neste ano, com os movimentos sociais, populares, estudantis, sindicais e partidos nas ruas. A concentração do ato será às 9h, na Praça do Derby e percorrerá as Avenidas Conde da Boa Vista e Guararapes.

Edição: Monyse Ravenna