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Coluna Bafafá | Novela é criticada por opinião sobre a educação

CNTE diz que Globo joga sociedade contra professores

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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A cena é de "O tempo não para", nova novela das 19h / Foto: Reprodução

A nova novela das 19h, “O tempo não para” já é um sucesso de audiência, se comparada com suas últimas antecessoras. O gostoso da trama são os choques entre os personagens do século 19 com as mudanças e novidades do século 21. Isso rende engraçados e fascinantes diálogos, com palavras e expressões do passado que enriquecem os diálogos e dão uma pitada de humor. Para quem acompanha, já percebeu que essa é a grande sacada da novela: os choques… permeados por críticas – ou pontos de vista – do autor: Mário Teixeira.

No entanto, algo incomodou em um dos capítulos exibidos recentemente. As personagens Marocas (Juliana Paiva) e Miss Celine (Maria Eduarda de Carvalho), ao procurarem uma escola pública, se deparam com uma unidade superlotada, com reclamações de falta de estrutura como mobiliário escolar, alunos sem aulas e os professores em greve. A diretora da escola, mostrada na cena, é ríspida no atendimento às personagens que buscam informações. Miss Celine pergunta ainda sobre uma vaga de emprego na escola e obtém a resposta que para ser funcionário tem que passar por um concurso público. Decepcionadas, Marocas e a tutora Miss Celine reclamam da burocracia envolvendo os serviços públicos.

Entidades sindicais da educação não viram com bons olhos esse episódio e criticaram a novela. Segundo a moção de repúdio da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação) à Rede Globo, a cena em que as “personagens da trama travam um diálogo (…) sugere, explicitamente, que a culpa e responsabilidade da atual situação da educação pública brasileira é do direito de greve do/a trabalhador/a e de sua forma de contratação por meio de concursos públicos.” A moção ainda diz que “a Rede Globo de Televisão, por meio de suas novelas, manipula opiniões e joga a sociedade brasileira contra a figura do/a professor/a”.

Interessante e polêmico esse episódio. Se por um lado é importante a liberdade de pensamento e de opinião sobre os fatos da sociedade – já defendemos muito isso aqui em outras colunas - por outro, há interesses de grupos de comunicação na privatização do ensino público. Sabemos que a Globo está de olho em vender os seus “Telecursos” por aí e que, sim, utilizam dos seus meios para vender a sua ideia/produto.

E você, leitor, o que acha disso?

Edição: Joana Tavares