MOBILIZAÇÃO

Opinião | “Vida em primeiro lugar”

O 24º Grito dos/as excluídos/as neste 07 de setembro tomará conta das ruas e praças de muitas cidades brasileiras

Brasil de Fato | Recife (PE)

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Registro de mobilização em 2016, em São Paulo / Rovena Rosa/Agência Brasil

Esse é o tema do 24º Grito dos/as excluídos/as que, neste 07 de setembro, tomará conta das ruas e praças de muitas cidades brasileiras. O Grito começou em 1994 como proposta das pastorais sociais da Igreja. O objetivo é gritar a todos que precisamos continuar e atualizar o grito da independência. Não é possível pensar em verdadeira independência se ostentamos o título de terceiro país do mundo em desigualdade social e apenas cinco homens possuem a renda equivalente à metade da população brasileira.  

O Grito dos Excluídos se contrapõe ao desfile militar. Nesses dias, na campanha eleitoral para presidente da República, Jair Bolsonaro se apresenta com propostas de extrema direita. Os militares precisam dizer ao povo brasileiro que esse senhor não representa as forças armadas. Essas existem para defender o povo contra inimigos externos e não para incitar a população à violência e ao ódio contra o diferente. A defesa da pátria se dá de outras formas e para outros fins. Atualmente, nossos inimigos não invadem o país com caravelas, nem precisam nos dominar militarmente. Eles se apoderam de terras na Amazônia e compram fontes de água em cidades mineiras. A preço de banana se apoderam do nosso parque produtivo e das riquezas naturais do país, vendidas pelo governo golpista. 

Diante da barbárie a que estamos expostos, os movimentos sociais e grupos da sociedade civil se unem em Frentes Populares. Organizam iniciativas que conscientizam a população. E, no 07 de setembro, através do protagonismo da base, fazem manifestações e caminhadas para fazer ressoar o Grito dos Excluídos. Participando diretamente ou sendo solidários/as com essa movimentação, somos convidados a expressar que projeto de país queremos para o Brasil e como repensar a relação entre governo e sociedade civil. 

No seu tempo, o apóstolo Paulo chamou de Igrejas as comunidades de discípulos/as de Jesus que tinha formado. A proposta era que esses grupos fossem ensaios de uma humanidade nova e unida. Igreja existe em função do projeto divino da paz, justiça e comunhão com a Terra. Por isso, hoje, mais do que nunca, as Igrejas cristãs deveriam fortalecer essas iniciativas de diálogo e unidade de toda a humanidade. Só assim, poderão ser o que o papa Francisco tem proposto: Igreja em saída.   



*Marcelo Barros é monge beneditino.

Edição: Catarina de Angola