Sem violência

No Distrito Federal, Grito dos Excluídos denuncia aumento da desigualdade social

Movimentos populares e setores da Igreja realizaram ato na Esplanada dos Ministérios

Brasil de Fato | Brasília (DF)

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Defesa dos direitos políticos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também foi uma das tônicas da manifestação / BdF

Movimentos populares do campo e da cidade, organizações de juventude, pastorais e organizações de esquerda realizaram na manhã desta sexta-feira (7) o 24º Grito dos Excluídos. Este ano, a manifestação denunciou o agravamento da desigualdade social no país, sob o mote “Desigualdade gera violência: chega de privilégios”.

Em Brasília (DF), o Grito ocorreu na Esplanada dos Ministérios, entre a Biblioteca e o Museu Nacional. Do outro lado aconteciam as comemorações oficiais da Independência do Brasil. 

Arlete Sampaio (PT), que foi vice-governadora do Distrito Federal, afirmou que o verdadeiro sentido da independência reside na soberania popular, e não em posturas que, de um lado, são ufanistas e, de outro, são omissas em relação ao patrimônio nacional. Em sua opinião, para reverter tal situação a população deve dar uma resposta clara nas urnas.

“Eles vestem a camisa verde e amarela e destroem a independência do Brasil, destroem a soberania, entregam nossas riquezas para o capital financeiro que vem aqui só nós explorar. Eles não são verdadeiramente brasileiros. Ele não têm direito de reivindicar nossas cores. Nós temos. É preciso fazer com que Lula, ou seu representante, possa ganhar as eleições de novo nessa país”, disse

Ada Luisa Sousa, do Levante Popular da Juventude, destacou o papel crucial dos jovens no contexto político pelo qual passa o Brasil. 

“A juventude tem um papel histórico na defesa da democracia e em defesa dos direitos do povo brasileiro, e não seria diferente nesse momento. O principal é que a juventude esteja junto dos movimentos populares, que são os companheiros e companheiras que estão na luta há décadas em defesa da soberania”, defendeu. 

Sueli Bellato, da Comissão Justiça e Paz, explicou o mote desta edição do Grito dos Excluídos, relacionando-o especificamente ao privilégio de algumas categorias no país. 

“Há mais de vinte anos, o Grito dos Excluídos reúne setores da igreja, dos movimentos, dos partidos para denunciar as desigualdades. Um tema que está presente na sociedade é a violência. Nós entendemos que ela é consequência, não causa, da má distribuição e da injusta organização social que temos. Não é justo que o Judiciário ganhe tanto enquanto o salário mínimo sequer acompanha os reajustes devidos”, diz Sueli.

O recente episódio de violência contra o candidato do PSL à Presidência, o capitão reformado do Exército Jair Bolsonaro, também foi comentado por Bellato, que categorizou o episódio como “lamentável”.

“Infelizmente, violência gera violência. A paz traz a paz. Que ele se recupere o mais depressa possível. E que ele mude de postura, porque nós também lamentamos muito quando a Caravana Lula foi atacada no Sul do país a tiros. A violência não nos fará uma nação melhor”, pontuou.

O Grito dos Excluídos no DF contou com algumas intervenções culturais, incluindo do trompetista Fabiano Leitão, conhecido por tocar jingles em referência a Lula “invadindo” transmissões de jornais televisivos.

Edição: Juca Guimarães