Violência

Candidato a deputado estadual é agredido pela Guarda Municipal de Curitiba

Renato Freitas já tinha sido preso violentamente em 2016 e, na última quinta-feira, prestou depoimento sobre o caso

Leer en español | Read in English | Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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Renato Freitas, 34, advogado criminal, mestre pela UFPR, foi abordado pela GM e tipificado como desacato, resistência e injúria / Black Out CWB

Candidato a deputado estadual do Paraná pelo Partido dos Trabalhadores, advogado criminal e mestre pela Universidade Federal do Paraná, Renato Freitas foi violentamente agredido pela Guarda Municipal de Curitiba no início da noite de domingo (9). Conforme informou sua assessoria, o jovem foi abordado pela GM quando estava fazendo panfletagem na Praça do Gaúcho, região central da cidade, após voltar de viagem de campanha no interior do Estado. Os guardas agrediram e acertaram Renato com dois tiros de borracha, um na mão e outro nas costas.

A notícia veio a tona com um vídeo ao vivo que Renato fez no Facebook enquanto estava sendo encaminhado para o Hospital Cajuru. Na localidade, familiares, amigos, advogados e comitê de eleição tiveram que esperar duas horas para receber notícias e ver o cadidato por barragem da GM. Em seguida, mãe, irmã e advogada estiveram com o jovem bastante machucado, mas fora de risco de vida.

“Renato também foi preso em 2016 em uma ação extremamente violenta e isso gerou uma sindicância pela Prefeitura contra a Guarda Municipal. Na última quinta-feira (06), Renato foi depor contra a GM nessa sindicância. Ele estava até relutante em ir com medo de uma retaliação como essa, mas porque o processo seria arquivado e isso seria uma grande injustiça, ele foi. Em seguida foi viajar pelo interior do estado para fazer campanha e ao retornar isso aconteceu”, aponta a advogada Maria Fernanda.

Ao sair do hospital, ainda na madrugada de segunda, Renato foi encaminhado para central de Flagrantes da capital onde foi acusado de desacato, resistência e injúria e, em seguida, liberado.

Prefeitura

Em nota pública, a Prefeitura Municipal de Curitiba afirmou que às 19h de domingo, a Guarda Municipal foi acionada por moradores do entorno da Praça do Gaúcho que reclamavam de pessoas fazendo racha de veículos, consumindo droga e promovendo perturbação do sossego: “A Guarda Municipal atendeu ao chamado e precisou usar arma não letal (com bala de borracha) para conter o grupo e para restabelecer a ordem no local. Renato Almeida Freitas Junior, que é candidato a deputado estadual, estava no grupo, avançou contra os seis guardas municipais e acabou ferido”, argumentaram.

Renato, por sua vez, afirma que apenas panfletava no local e que não havia qualquer incidente que justificasse a ação da GM. “Todo mundo que estava presente disse que esse ataque foi do nada, que não tinha motivo nenhum. Não tinha ninguém indo para cima da polícia, nenhuma confusão que motivasse essa abordagem”, aponta a advogada Maria Fernanda. “Renato sequer estava na praça no horário do suposto racha,  às 19h ele estava voltando de Prudentópolis”, completa o advogado Ramon Bentivenha. A defesa do candidato pressiona a Prefeitura para que libere as imagens das câmeras de segurança do local.

Outro caso

Ainda na sexta-feira (07), outra candidata a deputada estadual do partido, Edna Dantas, militante negra e periférica, foi presa durante o desfile do Dia da Independência do Brasil, no centro de Curitiba. Dantas foi presa ao lado de outros dois militantes que constroem o acampamento Marisa Letícia. De acordo com relatos, eles passavam no local com camisetas em apoio a Lula e gritando “Lula Livre”.

Apoio

A notícia se espalhou rapidamente pelas redes sociais e dezenas de pessoas se mobilizaram para ir até o Hospital apoiar Renato. Dr. Rosinha, candidato ao governo do Estado pelo PT foi um deles e explicitou sua indignação com a situação em nota:

“Nesta noite de domingo, 09, o candidato a deputado pelo PT Paraná, Renato Almeida Freitas, fazia panfletagem no centro de Curitiba e foi  agredido pela Guarda Municipal que o atacou com balas de borracha e o levou preso. Nenhum motivo para a prisão e nem para a violência policial. Da mesma forma, no dia 07, durante o desfile cívico, Edna Dantas, candidata a deputada estadual pelo PT PR, realizava manifestação em prol da libertação do presidente Lula, junto a outros militantes do partido e foram agredidos e detidos pela Polícia. Nos dois casos, a única explicação para a perseguição é que ambos são negros, do PT e dos movimentos sociais. O que estamos vendo é uma assustadora onda crescente de violência e perseguição a quem se manifesta e luta a favor dos oprimidos. Não houve nenhuma preocupação com os ônibus da Caravana do Presidente Lula que foram alvejados, estamos há seis meses sem saber quem matou Marielle e ainda o judiciário determina que não podemos nos manifestar em apoio Lula. Estive hoje acompanhando , logo que soube, o desenrolar da prisão arbitrária do Renato. Como estarei solicitando desde já apuração sobre desvio de  função policial em ambos os casos. Estou ao lado da Democracia e portanto lutando contra o estado de exceção que vivemos. Basta de perseguição! Basta de violência! DR ROSINHA Presidente do PT Pr”

Com a voz



Conforme divulgou, Renato Freitas entrará ao vivo, às 12h dessa segunda-feira (10), na sua página do Facebook para contar sua versão do caso.



"Agora, meio-dia, farei um vídeo ao vivo aqui na página descrevendo a violência e covardia praticada pela Guarda Municipal de Curitiba contra mim.

Estou bem, recebi alta pela madrugada, sai da delegacia e vim direto pra casa.

Desde já agradeço a generosidade, amizade e amor que meus amigos e amigas têm me dispensado.

Sem vocês me afundaria na areia movediça do ódio e da tristeza.

Com vocês eu tenho ainda mais certeza de que nossa luta é necessária.

Existir também é resistir!"



 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Edição: Laís Melo