SOBERANIA

Editorial | Dependência e Independência: o nome do jogo continua sendo política

Retomada das lutas de massas, da democracia e da soberania deve ser objetivo principal

Brasil de Fato | Salvador (BA)

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 Todo esforço desaguará em uma verdadeira independência POPULAR. / Bárbara Lima

O chamado “grito da independência” em 07 de setembro de 1822, que completa 196 anos, demonstra a característica das nossas elites em se antecipar aos processos de transformações para garantir e preservar seus interesses e privilegios. As tentativas frustradas de construção de um projeto de nação no Brasil, historicamente, foram impedidas por esta classe dominante, a partir de seu vínculo com o imperialismo e pelo seu ódio de classe ao povo brasileiro. A nossa independência foi incompleta.

Por isso que a história brasileira é marcada por frágeis e curtos períodos democráticos. Tivemos, entre 1889 e 2016, seis golpes de Estado. Por seis vezes o Congresso Nacional foi fechado, além de outros ataques violentos e antidemocráticos cometidos contra o povo e a nação. A classe dominante e o Estado brasileiro se constituiu elegendo o povo como inimigo número 1° da ordem e do progresso.

As formas que o capitalismo encontra para sair das crises, que ele mesmo produz, é se apropriando dos bens naturais e aprofundando a exploração sobre a classe trabalhadora. Todas as crises capitalistas desembocaram em conflitos mundiais e profundas disputas políticas e econômicas. No Brasil, os interesses da classe dominante são as reformas que elevam a miséria do povo brasileiro, além do saque intensivo dos nossos bens da natureza como energia, água e minérios e da privatização das nossas empresas brasileiras. Por sua vez, os interesses políticos são a desorganização e destruição das organizações populares. Objetivo realizado através do Congresso, o poder judiciário e a mídia. É neste cenário que se localiza a prisão de Lula e o trabalho para criminalização política do PT, que afeta o conjunto da esquerda brasileira. O objetivo é impedir as classes populares de voltarem a ocupar algum espaço de poder no Estado.

Superar essa encruzilhada histórica não será simples. A batalha exige fortalecimento e continuidade da luta pela liberdade de Lula e a denúncia de sua condição de preso político; transformar as eleições em palco de denúncia dos nossos inimigos; fortalecer a unidade das forças democráticas e populares na construção de vitórias para um fortalecimento de base popular no Congresso Nacional; e lutar para uma vitória eleitoral democrática de Lula/Haddad/Manuela. No entanto, este conjunto de vitórias somente é possível com o objetivo da reorganização da classe trabalhadora e da retomada das lutas de massas. 

Na Bahia e no Brasil é preciso fortalecer os congressos do povo, enquanto espaço de reorganização popular. Este deve ser um espaço para a retomada do trabalho de base e construção de um Projeto Popular  para o Brasil. Para a construção de uma nação soberana, democrática e verdadeiramente independente, com a força do povo no controle do Estado brasileiro. Até lá, teremos que realizar muitas batalhas. Temos a certeza, e a história nas mãos, de que o triunfo será em uma marcha de tempo prolongado. Todo esforço desaguará em uma verdadeira independência POPULAR.

Edição: Elen Carvalho