Racismo

STF livra Bolsonaro de acusação de racismo

Em palestra do político no Rio de Janeiro, em 2017, candidato a presidente comparou quilombolas a gado

Brasil de Fato | Brasília (DF) |

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Segundo PGR, Bolsonaro fez fala alinhada ao "ao regime da escravidão, em que negros eram tratados como mercadoria"
Segundo PGR, Bolsonaro fez fala alinhada ao "ao regime da escravidão, em que negros eram tratados como mercadoria" - Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

A 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu, nesta terça-feira (11), a avaliação de denúncia contra Jair Bolsonaro, candidato à Presidência da República pelo PSL. Alexandre de Moraes, que havia pedido vistas no dia 28 de agosto, foi o último a votar. Com seu posicionamento, o colegiado rejeitou a acusação da Procuradoria-Geral da República por 3 votos a 2. 

Marco Aurélio Mello, relator, e Luiz Fux rejeitaram a denúncia em 28 de agosto. Na mesma data, Luís Roberto Barroso e Rosa Weber se posicionaram favoravelmente ao recebimento da ação.

A PGR ofereceu denúncia contra Bolsonaro após representação da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) e da organização Terra de Direitos. As duas entidades procuraram o Ministério Público após palestra do então parlamentar no Clube Hebraica do Rio de Janeiro.

Na ocasião, Bolsonaro afirmou que, caso eleito, o Brasil não teria mais "um centímetro demarcado" para reservas indígenas ou quilombolas e que, ao visitar um quilombo, “o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Eu acho que nem para procriador ele serve mais”.

Voto

A PGR ofereceu denúncia afirmando que o capitão reformado do Exército cometeu crime em suas considerações sobre os quilombolas, já que se referiu "a eles como se fossem animais, ao utilizar a palavra arroba. Esta manifestação, inaceitável, alinha-se ao regime da escravidão, em que negros eram tratados como mera mercadoria, e à ideia de desigualdade entre seres humanos", conforme o documento redigido pelo órgão.

Moraes afirmou que a imunidade parlamentar, um dos argumentos da defesa de Bolsonaro, não protege discursos de ódio, mas que a fala de Bolsonaro não poderia ser entendida como enquadrada em tal hipótese. Segundo o ministro, a declaração do presidenciável não pode ser entendida como "incitação à violência física e psicológica contra negros". 

O magistrado entendeu que mesmo que feitas com "grosseria", "vulgaridade" e, em "relação aos quilombolas, total desconhecimento da realidade", as falas de Bolsonaro se enquadram na possibilidade de "crítica política".

Edição: Diego Sartorato