JUVENTUDE

Cultura e luta pela democracia reúne jovens em Acampamento do Levante na Bahia

900 jovens de 54 municípios participam do encontro do Levante Popular da Juventude em Salvador

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As místicas resgataram a memória da luta do povo baiano e o papel dos jovens de hoje em dar seguimento a ela
As místicas resgataram a memória da luta do povo baiano e o papel dos jovens de hoje em dar seguimento a ela | Crédito: Comunicação Levante

Arte, animação, companheirismo e rebeldia foram algumas das marcas do 2º Acampamento Estadual do Levante Popular da Juventude na Bahia, realizado entre os dias 6 e 9 de setembro no Centro de Treinamento da Secretaria de Desenvolvimento Rural, em Salvador. Reunindo cerca de 900 jovens de 54 municípios do estado, o acampamento tornou-se o maior encontro que o movimento já realizou na Bahia desde a sua nacionalização, em 2012. Durante os quatro dias de atividades, debates, oficinas, culturais e atrações musicais preencheram a programação, que também contou com a participação do movimento no ato do Grito dos Excluídos, realizado no dia 07 de setembro.
Com o lema “Organizar a rebeldia para defender a democracia”, o acampamento buscou contemplar a diversidade dos jovens baianos e colocar o Levante como instrumento de protagonismo para a juventude se expressar e lutar. "Acreditamos que o Acampamento Estadual cumpriu seu papel de renovar a esperança pra juventude mostrando que é a organização coletiva que possibilita a resolução dos nossos reais problemas. E que podemos fazer isso com animação, cultura, aprendendo com as diversas identidades dos jovens. O Levante se coloca como essa ferramenta organizativa e de luta para canalizar a rebeldia da juventude rumo à construção de um projeto popular de vida e nação", afirma Bruna Weyll, da coordenação nacional do movimento. 

Construção coletiva 
Movimentos e organizações populares do campo e da cidade, como Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimentos dos Pequenos Agricultores (MPA), Movimentos das Trabalhadoras e trabalhadores por direitos (MTD) e Sindicato dos Petroleiros da Bahia (Sindipetro- BA) também participaram da construção do acampamento e fazem um balanço positivo desse processo. Moisés Borges, do MAB, afirma que “o Acampamento do Levante consolida o movimento como uma das maiores forças de juventude organizada na Bahia. Prezando pela pedagogia do exemplo, a formação política e a disposição na construção das lutas do povo brasileiro em defesa de nossa democracia e por nossa soberania”. 
Na Assembleia com Amigos e Amigas do Levante, realizada na noite do sábado (08), intelectuais e representantes de movimentos sociais também puderam levar sua mensagem ao Levante Popular da Juventude. “O Levante Popular da Juventude confere nova vida ao projeto popular, projeto esse que tem sido a alma o centro da estratégia da revolução brasileira, que a Consulta Popular, os movimentos sociais do campo, o MTD, tantos e tantas lutadores e lutadoras do povo constroem. No Levante isso se renova e ganha uma forma cheia de ousadia, de agitação e propaganda, de alegria, de valores humanos, de coragem e rebeldia”, destaca Lua Marina Moreira, da Consulta Popular.

Nós por Nós
O Acampamento também busca ser um espaço pedagógico e de construção de novos valores. Dessa forma, ele funciona a partir do trabalho dos próprios jovens, que se dividem em tarefas que vão desde a limpeza dos espaços à organização da cultural. A equipe de saúde, por exemplo, se reveza noite e dia para cuidar dos participantes com atendimentos básicos e técnicas da saúde popular; na ciranda, os filhos e filhas dos participantes podem brincar à vontade e são cuidados pelos militantes; já na cozinha, os companheiros e companheiras acordam cedo para garantir a alimentação das 900 pessoas do acampamento. Tudo isso é feito a partir dos valores e acordos coletivos debatidos entre as delegações desde a sua chegada. “Apresentamos uma nova forma de viver e se organizar, diferente daquela que nos é imposta desde que nascemos”, resume Sheila Souza, militante do Levante de Eunápolis, extremo sul do estado. 
Gabriel Rezende, de Feira de Santana, entrou no Levante há poucos meses e participa pela primeira vez de um acampamento da organização: “O Levante foi um divisor de águas na minha vida e na de muitos outros militantes. Através desse acampamento maravilhoso pudemos vislumbrar o modelo de sociedade que o povo brasileiro quer: minando o racismo, machismo, LGBTfobia, debatendo e ampliando os espaços para educação, cultura, lazer, etc”. E está com muita disposição para continuar na luta: “Agora é voltar para nossos municípios com a bagagem cheia de ânimo e respirar fundo protagonizando as transformações da nossa realidade”.
“A juventude não está perdida e jamais nos farão acreditar nisso, porque durante os quatro dias vivemos, sonhamos e avançamos um pouquinho mais na construção de uma sociedade nova. Hoje, temos a sensação maravilhosa de que podemos ser protagonistas de nossa história, seguindo no caminho aberto por aqueles que vieram antes de nós, por aqueles que deram a vida buscando uma sociedade mais justa e digna para o povo brasileiro. Somos herdeiros desse legado e faremos jus a ele como muita rebeldia e alegria!”, conclui, emocionada, Sheila Souza.
 

Editado por: Elen Carvalho

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