Bola em campo

Futebol brasileiro é escanteado nas eleições

No país do futebol, apenas dois candidatos a presidente falam a respeito da gestão do esporte mais popular

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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Quando o leque se abre para questões relacionadas ao esporte como um todo, as candidaturas Boulos, Haddad e Marina, são os que se dedicam / Reprodução CBF

Dizem que o futebol é a coisa mais importante dentre as menos importantes no mundo. No Brasil, país de cinco títulos mundiais, com uma das seleções mais badaladas do planeta, palco da Copa do Mundo de 2014, mas que durante décadas vem amargando fracassos dentro e fora de campo, com as últimas gestões da principal entidade de comando do esporte a CBF (Confederação Brasileira de Futebol), afundadas em denúncias graves de corrupção, o esporte não tem tomado um lugar de relevância no debate eleitoral.

Não para tanto, o país passa por questões mais problemáticas, do que a imensa divida dos clubes profissionais com a união, a falta de calendário para a maioria dos clubes, ou os sucessivos fracassos na Copa do Mundo. Contudo, mesmo no país do futebol em época de eleições, apenas duas candidaturas propõe mudanças e falam mais especificamente sobre o tema futebol: a candidatura de Boulos do PSOL e Fernando Haddad do PT.

Quando o leque se abre para questões relacionadas ao esporte como um todo, as candidaturas Boulos, Haddad e Marina, são os que dedicam mais espaço ao tema em seus planos de governo. Ciro Gomes do PDT e Eymael do DC citam em tópicos a necessidade de investimento no esporte. João Amoêdo, cita o segmento em uma linha juntamente com os debates a respeito de cultura e ciência. Álvaro Dias, do PODEMOS, que foi um dos relatores da CPI da Nike no início dos anos 2000, que investigava contratos fraudulentos entre a Confederação e a empresa americana de materiais esportivos, por sua vez, não cita nada a respeito. Nos programas de governo de Vera Lúcia, Cabo Daciolo, Henrique Meireles, Jair Bolsonaro, João Goulart Filho também não há citações a respeito do tema.

O que diz os candidatos 

O programa de governo de Fernando Haddad no PT, busca resgatar programas dos últimos governos Lula e Dilma no setor. Ressalta a aprovação do Estatuto do Torcedor, aprovado em 2003, entre outros projetos como o Bolsa Atleta. Em relação a gestão do futebol um texto no site do partido diz ‘’o governo criará o Programa de Modernização da Gestão do Futebol, que visa apoiar a estruturação a nível nacional dos clubes, inclusive do futebol feminino’’.

Em relação ao calendário do futebol brasileiro o PT propõe  ‘’a construção de um calendário unificado que garanta atividade anual permanente para todas as séries e campeonatos’’. Ainda segundo o programa petista, o futebol se tornará ‘’vetor de desenvolvimento e promoção das capacidades do país, além disso, o governo federal vai contribuir para a viabilização econômica das Arenas da Copa nos estados’’.

Já o programa de governo do PSOL, de Guilherme Boulos, propõe medidas de intervenção do estado no futebol, com a ruptura ‘’com os cartolas dos clubes’’ e de ‘’democratização das entidades como a CBF e federações estaduais. O psolista propõe um programa de valorização das categorias de base dos clubes, o programa do governo diz recorrer a ‘’uma taxa decrescente para as transferências internacionais de jogadores até 23 anos, forma legal para interferir no êxodo dos jovens atletas e proteger os clubes de formação, garantindo maior qualidade técnica para o futebol disputado no país’’.

Boulos segue uma linha contrária ao do petista Fernando Haddad e propõe mudanças a respeito do Estatuto do Torcedor, no qual qualifica como ‘’neoliberal’’. ‘’Reverter a criminalização dos torcedores, coibir manifestações preconceituosas racistas, homofóbicas, regionais e sexistas e garantir os horários de realização das partidas adequados aos interesses dos setores populares’’, diz o texto. A proposta do PSOL ainda prevê intervenção do estado em relação a negociação das cotas de televisão entre as emissoras, baseado no modelo inglês de distribuição de recursos, com os clubes com ‘’percentuais exatos para a distribuição do valor, sendo 50% do montante divido igualmente entre os clubes, 25% baseados na classificação final do Campeonato nacional anterior, com o campeão recebendo 20 vezes mais do valor que recebe o último colocado e os outros 25% variáveis de acordo com o número de jogos transmitidos na televisão’’, afirma o texto.

 

 

Edição: Laís Melo