Entrevista

Cuba está disposta a negociar com EUA sem pré-condições, diz presidente Díaz-Canel

Novo presidente cubano foi entrevistado pela teleSUR, a 1ª conversa com um meio de comunicação desde que assumiu o cargo

Miguel Díaz-Canel, presidente de Cuba / Irene Pérez/Cubadebate

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou em entrevista neste domingo (16) que seu país está disposto ao diálogo com os Estados Unidos de Donald Trump, contanto que não se condicione a soberania da ilha.

“Não se pode aspirar a um diálogo onde uma parte condiciona a outra a renunciar à soberania e à independência”, disse. “Nós não aceitamos imposições, quanto mais com os EUA. Se se mantém essa aberrante atitude do governo dos EUA contra Cuba, não há diálogo”, completou, em entrevista transmitida pela emissora multiestatal teleSUR – a primeira que deu a um meio de comunicação desde que assumiu o cargo, em abril deste ano.

Díaz-Canel disse que, desde que se tornou presidente de Cuba, passou por “meses de muita experiência, e meses que também provocam muita reflexão”. Seu governo, disse, é uma continuidade dos de Raúl e Fidel Castro, “um governo do povo, para o povo, que é o mesmo que ser um governo para a Revolução”. O mandatário diz manter contato constante com Raúl Castro.

Bloqueio

O presidente cubano afirmou considerar que o bloqueio econômico imposto pelos EUA contra Cuba, há mais de 60 anos, “é o principal obstáculo para o desenvolvimento do país, a coisa que mais golpeia a vida cotidiana dos cubanos e cubanas, e também a vida econômica e social”, e o chamou de “prática brutal”.

“Diria que é um ato de lesa humanidade. Atenta contra um povo. É um povo condenado a morrer de fome, de necessidades’, disse.

“Não somos uma ameaça para ninguém. O que temos é uma vontade e uma vocação para justiça social, para construir um país melhor”, afirmou, apontando o bloqueio como maior impeditivo para tal.

Díaz-Canel repudiou as acusações de agressão contra diplomatas da embaixada dos EUA em Cuba. “Temos muita ética para atacar a outros. (…) Cuba não ataca, Cuba defende, Cuba compartilha, é solidária”, afirmou.

Reforma Constitucional

Ante o bloqueio, disse Díaz-Canel, o governo chegou à conclusão de que se deve atualizar o modelo econômico e social do país. Para ele, a reforma constitucional, atualmente em processo, reforça os postulados da Revolução Cubana.

“É um olhar responsável, um olhar objetivo, é um olhar realista”, disse. “Chegamos à conclusão de que temos que atualizar nosso modelo econômico e social nas condições do bloqueio”, afirmou.

Face às críticas de que a nova Constituição implicaria renunciar ao comunismo, Díaz-Canel afirmou que o governo nunca o faria. “Os que estão mais preocupados se vai ser socialismo ou comunismo não são o povo cubano, mas os que nos detratam de fora”, disse.

A proposta de nova Constituição também libera o casamento entre pessoas do mesmo sexo. “Defendo que não haja nenhum tipo de discriminação”, afirmou Díaz-Canel, que disse que a última palavra “quem dará será o mandato popular e a soberania do povo”.

*Com teleSUR.

Edição: Opera Mundi