#Ele não

Paraibanas vão às ruas contra Bolsonaro no dia 29 de setembro

Até o momento o estado tem atos confirmados na capital, João Pessoa, e em mais quatro cidades

Brasil de Fato | João Pessoa (PB)

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Em todo o Brasil, milhões de mulheres organizam atos contra o fascismo, o racismo e ódio instalado pelo discurso do "Coiso" / Divulgação

A data de 29 de setembro de 2018 ficará marcada em todo o país, como o dia em que mulheres de vários setores, religiões, idades, cores e classes sociais se unirão em mobilizações contra um dos candidatos à presidência da república. O alvo dos protestos é Jair Bolsonaro, que concorre pelo PSL, por suas sistemáticas declarações consideradas desrespeitosas sobre negros, mulheres, indígenas e população LGBT, além do discurso pró-armamento e de incitação ao ódio. 

Na Paraíba, a Capital João Pessoa, a manifestação acontecerá a partir das 15h, na Praça da Paz, bairro dos Bancários. O evento do ato no Facebook já tem mais de cinco mil pessoas interessadas. A professora Danielle Alexa de João Pessoa é uma das que confirmaram presença no evento. “Tudo começou de uma forma muito espontânea, fiquei sabendo dos atos através de um grupo nacional nas redes sociais e comecei a convidar também minhas amigas”. 

Assim como Danielle, a educadora popular Maria Elza Gomes, de Cajazeiras, estava entre os dois milhões de integrantes do grupo do Facebook “Mulheres unidas contra o Bolsonaro”. Para ela “As mulheres vão para as ruas demonstrar que esse tipo de político não nos representa. Nós repudiamos esse tipo de político e acreditamos que sua candidatura por si só, representa um risco às mulheres. É com esse sentimento que eu vou para a rua, pois as mulheres não se calam diante do machismo e de todas as outras formas de opressão”, disse. Em Cajazeiras, acontecerão dois atos, pela manhã (8h) na Praça da Igreja Matriz com uma caminhada, e à tarde (17h), na Orla do Açude Grande, com apresentações culturais. Já em Campina Grande, um ato reunirá mulheres na Praça da Bandeira, com concentração, a partir das 9h e início previsto para às 10h.

Nas redes sociais, as mulheres em 2 dias reuniram mais de 2 milhões em torno do #EleNão./ Divulgação.



As mobilizações começaram a surgir depois do dia 13 de setembro, quando o grupo “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro” que reuniu o espantoso número de dois milhões e meio de integrantes, sofreu um ataque cibernético por parte de apoiadores do candidato. As administradoras não só foram retiradas, como tiveram contas hackeadas e dados pessoas divulgados, além de receberem ameaças de agressão. O nome do grupo foi alterado e posteriormente apagado. No dia 16 de setembro, depois de uma investigação e intervenção do Facebook, o grupo foi devolvido às administradoras.

Após a ação, as hastags #Elenão e #MulheresContraoBolsonaro levaram o assunto a ser um dos mais comentados no ranking mundial da internet e receberam adesões de artistas e personalidades nacionais. Para Sofia Dionizio, professora da Universidade Federal de Campina Grande, a mobilização que acontecia nas redes, após a invasão do grupo, ganhou uma nova força: “Antes de o grupo ser hackeado, aquilo para mim era só um enfrentamento, uma postura, mas a partir de quando acontece um crime digital, apenas pelas pessoas pensarem de forma diferente da que eu penso e se posicionarem publicamente, eu me senti violentada enquanto mulher. Acredito que precisamos sim, ir às ruas para denunciar o que está acontecendo”, afirmou.

Agenda de mobilizações 29 de setembro:



JOÃO PESSOA

Praça da Paz, Conjunto dos Bancários, 15h

CAMPINA GRANDE

Praça da Bandeira, Centro, 10h

CAJAZEIRAS

Praça da Matriz, Centro, 8h

Orla do Açude Grande (Praça do Leblon), 17h

SOUSA

Calçadão, Centro, 15h

TRIUNFO

Praça do Portal, 16h

 

Edição: Heloisa de Sousa