FOME NÃO

Campanha de distribuição de alimentos alerta sobre emergência alimentar na Argentina

"Panelas populares", a iniciativa de movimentos e organizações cobra do governo de Macri ações contra a volta da fome

Panelas populares: voluntárias distribuem sopas durante o primeiro dia da campanha "Fome não" / Página 12

Movimentos e organizações sociais da Argentina convocaram uma nova jornada de luta denominada “Fome não”, para pressionar o governo do presidente, Maurício Macri, a declarar a existência de uma “emergência alimentar” no país. As organizações começaram a instalar diversos pontos de distribuição de sopa e alimentos e de doações para os restaurantes comunitários na última quarta-feira (19), em diferentes cidades do país.

“Há um aumento da má-nutrição em crianças e adolescentes dos bairros pobres”, afirmou um dos integrantes da organização Barrios de Pie [Bairros em pé] ao jornal argentino Página 12.

“O principal objetivo da campanha é continuar exigindo a declaração urgente de 'emergência alimentar', diante do agravamento da situação social, cada vez mais angustiante”, declararam os organizadores da jornada.

Além de instalar pontos de distribuição de comida, chamadas ollas populares [panelas populares, em português], durante a jornada, as organizações também receberam doações de alimentos para distribuir nos bairros mais pobres e para prover os restaurantes comunitários. Um chamado para que os voluntários “apadrinhem” os restaurantes foi outra iniciativa, já que, segundo os organizadores da campanha, cerca de um terço das crianças mais pobres do país fazem as suas refeições nesses restaurantes.

Em um dos pontos principais da capital argentina, o Obelisco, localizado no centro de Buenos Aires, a campanha está recebendo doações todos os dias. Nesse primeiro dia, sete pontos foram instalados na cidade.

“É uma convocatória aberta e plural, um chamado para a solidariedade daqueles que não querem que a fome se instale na Argentina”, explicou Daniel Menendez, da organização Barrios de pie, no lançamento da campanha “Fome não”.

O integrante do movimento popular também comenta que a campanha “se propõe a dar visibilidade para a dramática e triste situação e, ao mesmo tempo, promover a participação para evitar que as crianças argentinas do futuro não façam parte de uma geração que nasceu sob a sombra da fome”.

Edição: Página 12 | Versão para o português: Luiza Mançano