Economia

Queda do salário real dos trabalhadores argentinos chega a 16% com crise econômica

Segundo pesquisa, o ramo da construção civil é o mais afetado após acordo com do presidente Mauricio Macri com o FMI

Pelo acordo entre governo argentino e FMI, que vai até junho de 2020, será liberado um total de US$ 50 bilhões ao país / Site Oficial Mauriciomacri.com.ar

De acordo com dados divulgados nessa quarta-feira (19) pelo programa de Capacitação e Estudos sobre Trabalho e Desenvolvimento (Cetyd) da Universidade de San Martín, o poder de compra dos trabalhadores da Argentina sofrerá uma queda entre 7% e 16% até o final de 2018.

Segundo os especialistas do Cetyd, os trabalhadores do ramo da construção civil serão os mais afetados, podendo ter seu salário real diminuído em 16%. Um dos motivos seria a interrupção da construção de obras públicas previsto no acordo financeiro com o FMI, afirma o núcleo de estudos.

Os empregados do setor público, alimentação, têxteis e de segurança privada vem logo em seguida, podendo chegar a 15% de diminuição de seu poder aquisitivo.

Para o Cetyd, "uma contração importante no poder aquisitivo da massa salarial não afetará apenas as condições de vida dos trabalhadores e suas famílias, mas também provocará graves consequências para uma parte significativa de empresas cujo nível de produção depende diretamente do consumo interno".

Crescimento

O PIB da Argentina recuou 4,2% no segundo trimestre de 2018 em relação com o mesmo período do anos passado, divulgou nessa quarta-feira (19) o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) do país. De acordo com o órgão oficial argentino de estatísticas, em comparação com o primeiro trimestre de 2018, o índice recuou 4%.

Segundo o Indec, o PIB do país havia avançado 3,9% nos primeiros três meses deste ano, contando uma porcentagem semelhante ao quarto trimestre de 2017.

A Argentina atravessa uma crise econômica e, segundo dados do próprio Banco Central da Argentina (BCRA), o dólar se valorizou quase 100% em um ano. .

No final de agosto, o governo de Maurício Macri pediu um auxílio financeiro ao FMI e elevou a taxa de juros do país 45% para 60% ao ano. 

OCDE

A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou nessa quinta-feira (20) um relatório sobre as perspectivas de crescimento da economia mundial para os anos de 2018 e 2019. Segundo a organização, o pior índice registrado foi o da Argentina, com um retrocesso de 1,9% no índice de crescimento econômico.

Para 2019, a OCDE, que havia previsto em maio deste ano um crescimento de 2,5% para o país no próximo ano, estima que a economia argentina crescerá apenas 0,1%.

Edição: Opera Mundi