LUTA

MST promove curso de formação de militantes próximo à Vigília Lula Livre

Curso paralelo às atividades do acampamento em Curitiba alia prática de luta à teoria política

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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Aulas são pensadas em conjunto com a mobilização política em defesa da democracia / Tarcísio Leopoldo

Não há como fazer luta sem formação e não há processo de formação sem luta. Esse é um dos princípios básicos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), segundo Geraldo Gasparin, coordenador do Setor de Formação do MST.

Seguindo essa ideia, o movimento iniciou o Curso Básico de Formação de Militantes - Região Sul, no último dia 11 de setembro, no Centro de Formação Marielle Vive, em Curitiba.

O curso reúne cerca de 70 militantes dos estados de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, e vai até o próximo dia 3 de outubro. Nas aulas, são abordados diversos eixos temáticos, como a questão agrária brasileira, filosofia, economia política e a questão de gênero.

Gasparin é responsável pelas aulas com a temática da filosofia e da teoria da organização. Ele fala sobre os processos de formação de consciência, passando por autores que vão do psicanalista Sigmund Freud até o revolucionário russo Vladmir Lenin. “A emancipação da classe trabalhadora é obra da própria classe trabalhadora. Não adianta colocarmos quadros da burguesia para conduzir a luta pela terra. Nós precisamos preparar da melhor forma possível os nossos militantes”, afirma o dirigente.

O critério básico para participar do curso é que os militantes devem já estar alfabetizados e cumprindo tarefas políticas ou organizativas dentro do assentamento ou acampamento ao qual fazem parte.

Projeto popular

O Curso Básico de Formação é voltado para militantes novos no MST, como uma forma de introduzi-los aos conceitos fundamentais do movimento e de instigar um sentido de pertencimento à luta social, não só pela terra, mas por um projeto popular de Brasil.

Angélica Trambaioli entrou no MST há dois anos e é membro do acampamento Fidel Castro, de Centenário do Sul, no Paraná. Ela conta que desde que entrou no movimento tem interesse pelos espaços de formação e atualmente é uma das educadoras do acampamento ao qual pertence.

“Quando você é formado, tem uma visão crítica do que é a nossa sociedade, tem mais força de vontade para lutar, mais consciência do por quê estamos aqui. Eu estou lutando pela reforma agrária, pela terra e pela transformação social”, explica Angélica.

Centro de Formação Marielle Vive

As aulas acontencem no Centro de Formação Marielle, que acontece em um local próximo à Superintendência da Polícia Federal, onde o ex-presidente Lula é mantido preso há 173 dias.

O Centro foi inaugurado no dia 4 de setembro, com o intuito de ser um espaço para realização de atividades paralelas à Vigília Lula Livre. Foi o espaço escolhido para a realização do Curso Básico de Formação por representar um ponto de resistência na atual conjuntura política brasileira.

“Optamos por realizar [o curso] junto à vigília, buscando conciliar o momento de estudo com um processo de luta, de vivência desse momento político, percebendo que essa é uma luta mais ampla, que afeta o conjunto da classe trabalhadora”, diz Geraldo Gasparin.

O Curso Básico de Formação de Militantes acontece todos os anos, com cinco turmas espalhadas por todas as regiões do Brasil.

Analfabetismo zero

O acampamento Fidel Castro comemorou, em dezembro de 2017, a erradicação do analfabetismo. Quatro turmas de alfabetização do acampamento foram formadas pelo método “Sim, eu posso”, inspirado no modelo cubano de educação “Yo, si Puedo!”. O método prioriza uma forma de educação que faça com que o estudante aprenda não só o alfabeto, mas conheça e reflita sobre a realidade em que vive.

Agora, os integrantes do acampamento seguem em processo de formação, dentro do programa “Paraná alfabetizado”, utilizando a proposta dos círculos de cultura elaborados por Paulo Freire.

“Depois da alfabetização, nós estamos aperfeiçoando cada vez mais a formação dos companheiros - nas disciplinas de português, matemática, história - levando também o nosso cotidiano. O círculo de cultura envolve o nosso dia-a-dia no acampamento”, explica Angélica.

Edição: Pedro Ribeiro Nogueira