Democracia

Mulheres denunciam candidato fascista em 20 cartazes

Em BH, Frente Brasil Popular afirma que quase 100 mil participaram do protesto #EleNão

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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Cartaz de Marcia Zanoteli / Foto: Rafaella Dotta

Os grafites da capital mineira fizeram fundo para uma multidão igualmente colorida. No dia 29 de setembro um mar de mulheres se reuniu na Praça Sete, no centro da cidade, para se manifestar contra o candidato à presidência da República Jair Bolsonaro (PSL). O deputado apresenta propostas preconceituosas e de tendências fascistas. Em contraponto, elas anunciam a “Primavera Contra o Fascismo”.

No trio elétrico subiram cantoras de 28 blocos de carnaval, enquanto no chão a bateria composta apenas por mulheres – inclusive as regentes – animava o povo. Segundo a Frente Brasil Popular Minas, uma das organizadoras do ato, as mulheres chegaram a ser 100 mil no seu auge. O protesto foi o maior de 2018.

Além de muita roupa lilás e de chita, as mulheres empunharam milhares de reclames. Humor, desenho, tinta e ótimas sacadas contam os motivos delas irem às ruas:

Por mim, por você, por elas, por cada uma de nós #EleNão

O cartaz de Monica Peixoto Simpson, analista judiciária, lembrava das mulheres presentes e das ausentes. “Como mulher eu sofri assédio moral e assédio sexual. Eu reagi, tive forças, mas as outras que não tem quem fale por elas?”, indaga. Ela lembra até mesmo das que declaram a apoio ao candidato fascista. “Nós somos mulheres de opinião, de posicionamento perante à vida e lutamos contra a injustiça, seja qual for.  Elas precisam lembrar que se hoje elas têm direito ao voto é porque as feministas lutaram por elas”.

O golpe leva ao fascismo

 Uma obra de 2016 foi adaptada por Manu Grossi para dar seu recado. Ela traz na lembrança a cronologia dos acontecimentos, desde que setor judiciário e parlamentares abriram ameaças contra Dilma Rousseff e a retiraram da presidência. “A gente está vendo tudo que isso desencadeou no Brasil: o ódio, o estado de exceção, o Moro que não respeita a Constituição. Tudo que é contra uma nação democrática. Eles queriam se colocar como heróis, e pra isso tiveram que eleger um inimigo”.

A situação é tão grave que até os introvertidos vieram protestar #EleNão

A professora de inglês Marcia Zanoteli era uma das milhares de mulheres caminhando, mas seu cartaz chamava atenção. “Sou muito introvertida, morro de vergonha”, dizia ela sobre estar ali. Marcia deixou de ir a muitos protestos porque não gosta de multidões, conta que foi criada numa família muito machista, e por isso mesmo a reivindicação feminina a toca. “As pessoas precisam fazer isso. Não terem vergonha, não terem medo. Um dia outras mulheres lutaram por mim e eu sou muito agradecida, e hoje estou fazendo isso pelas mulheres do futuro também”.

Vocês verão com quantas “FRAQUEJADAS” se fazem uma revolução #EleNão

A frase vem de uma declaração de Jair Bolsonaro de que quando o homem gera uma filha é porque ele deu uma “fraquejada”. Na opinião de Karen Fernanda, que é avaliadora de anúncios, declarações como essa são direcionadas a homens machistas que não têm vergonha de se afirmarem como tal. “É usada para desmerecer nós, mulheres”, diz. “Nós não somos fraquejadas. Somos maioria e vamos representar o nosso país”.

“Vagabunda” é sua produção legislativa #EleNunca

 Raquel Moreira é do Rio de Janeiro e acompanha Jair Bolsonaro (PSL) desde que ele se elegeu deputado federal pelo seu estado, há 27 anos. Nesse tempo, o candidato apresentou cerca de 170 propostas, mas apenas 2 foram aprovadas. “Em toda a sua história política tudo o que ele produziu foi polêmica e imóvel. Isso nesse tempo todo que ele esteve no legislativo!”, justifica Raquel.

Estudar história é importante, mas fazer história é essencial #EleNão

 “Essa é a frase de um ex-professor meu. Acho que muita coisa que acontece no Brasil tem a ver com o fato de ninguém saber o que aconteceu antes”, diz a estudante Beatriz Diniz. Para ela, enquanto as pessoas não aprenderem a olha para trás, os erros continuarão se repetindo, e a eleição de uma proposta fascista é um deles.

Melhores momentos em cartazes:

#Esse Trem Não!

Elenão. [neol.] S.m. 1. Sujeito machista, homofóbico, misógino, preconceituoso, racista e pró-tortura. 2. Ele que deve ser esquecido. 3. Usa-se também elenunca.

Jesus não apoia o racismo. Jesus não apoia violência. Jesus não apoia a opressão

Messias só Jesus #EleNão

Contra o ódio conservador, uma revolução de amor!

Em tempos de ódio, ande Amada #EleNão

Meu corpo, minhas regras. Meu voto, minha voz. #EleNão

Lugar de criança (e bebê) é na luta #EleNão

#EleNão Porque ele fez do professor um inimigo da família

Ele é o atraso que país nenhum merece ter

Se você não está preocupado, você não está prestando atenção

Lute como uma mulher

“Já vou deixar registrado que se a Idade Média voltar eu estou do lado das bruxas”

Meu corpo, minhas regras. Meu voto, minha voz. #EleNão

Edição: Joana Tavares