DEPOIMENTO

Bete Mendes: "Eu fui torturada. E quem elogia isso vai fazer o que na presidência?"

Artista e militante, Bete Mendes conta como denunciou as torturas de Ustra, elogiado por Bolsonaro, durante a ditadura

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

,

Ouça o áudio:

A atriz Bete Mendes acredita que a proposta progresista vai vencer no segundo turno e espera um parlamento mais qualificado / Mídia Ninja

"Na votação do golpe, ficou claro que os parlamentares não tinham propostas. Eles queriam era tirar o modelo progressista do poder. Foi triste ver aquilo. Teve este deputado, que agora está concorrendo à presidência, que fez um elogio ao [coronel Carlos Alberto] Brilhante Ustra, responsável por [comandar] sessões de torturas. Eu fui torturada, eu denunciei o Ustra e suas torturas. Quem elogia um torturador, vai fazer o que se for presidente?". 

Foi com esse tom de indignação que a atriz Bete Mendes, às vésperas da votação do primeiro turno da eleições de 2018, conversou com a Rádio Brasil de Fato sobre as suas experiências, visões e expectativas para o Brasil. Ela também disse que se surpreendeu negativamente com a atual legislatura e citou a votação do impeachment da presidenta Dilma Rousseff como exemplo.

"Essa eleição vai servir para melhorar a qualidade dos debates no Congresso. Temos a chance de eleger deputados e senadores. O eleitor precisa escolher candidatos que não façam apenas promessas, mas que sejam comprometidos com os movimentos populares e as causas sociais. Escolher aqueles que são comprometidos com a Educação e como o desenvolvimento do Brasil', disse.

Bete, que participou de dezenas de filmes e novelas, falou também do legado do Partido dos Trabalhadores no governo federal. "Temos que lembrar das universidades, da formação de alunos com qualidade e competência. O Brasil melhorou", disse.

A atriz acredita que as eleições majoritárias serão decididas em segundo turno. "Agora é preciso votar com esperança e atenção nos deputados e senadores. Depois é lutar para que o modelo progressista supere o retrocesso e o ódio no segundo turno", disse, ressaltando a importância de aumentar a representatividade nas mulheres no Congresso e no Poder Executivo. 

Edição: Pedro Ribeiro Nogueira