Violência

Em dia de votação, apoiadores de Bolsonaro focam em ameaças e descrédito da eleição

Eleitores do candidato do PSL viralizaram fotos de armas e relatos falsos de fraudes nas redes sociais

Brasil de Fato

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Bolsonaro defende a flexibilização do porte de arma para civis / Foto: Reprodução

No dia da votação no primeiro turno, eleitores de candidato de extrema direita Jair Bolsonaro (PSL) disseminam apoio à violência e descrédito no processo eleitoral.

No início da tarde deste domingo (7), vídeos e fotografias mostrando eleitores com armas em cabines de votação circularam na Internet. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está apurando a veracidade das imagens postadas em redes sociais e grupos de WhatsApp.

Uma das fotografias mostra um revólver sobre uma urna de seção eleitoral na Escola Estadual Professor Maurício Brum, no estado do Rio de Janeiro. Já outro vídeo mostra um eleitor apertando os números do candidato do PSL com uma arma de fogo.

O termo "arma" atingiu os assuntos mais comentados do Twitter com relatos de militantes e denúncias ao TSE. O episódio ocorre um dia após a segunda manifestação #EleNão, que novamente levou às ruas mulheres de todo o país contra Bolsonaro. O grupo sofreu um ataque na Internet por causa da organização das manifestações.

O presidenciável do PSL defende a facilitação do porte de arma para civis, por meio da realização de um exame psicológico, por exemplo. O jornalista Paulo Moreira Leite, em entrevista à Rádio Brasil de Fato, também lembrou que militares e ex-militares simpatizantes da ditadura compõem a equipe de campanha de Bolsonaro. 

Moreira Leite também pontua que o próprio candidato se declarou admirador de um torturador e defende um projeto de militarização do ensino. "O projeto do Bolsonaro é uma reforma do Estado em moldes de uma ditadura. Um regime autoritário, que ele tem em mente e que ele pratica. Ter uma pessoa de visão autoritária, de métodos autoritários, e querer ocupar a Presidência da República é preocupante", alerta.

Já o sociólogo Sérgio Amadeu, professor da Universidade Federal do ABC, ponderou que eleitores do Bolsonaro não sejam necessariamente fascistas, mas a campanha do candidato do PSL cresceu com o fomento da polarização e do ódio. 

"Pegue as frases, os vídeos e a proposta do Bolsonaro: mobilizar setores raivosos que tem problemas com a democracia e com a diversidade. Sabe como chama isso? Fascismo", afirmou. 

Vídeos de urnas

Além de ameaças, os apoiadores também disseminaram mensagens de descrédito da eleição, com imagens e vídeos falsos questionando as urnas eletrônicas.

O ato foi incentivado pelo filho do presidenciável Jair Bolsonaro, o candidato a deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL). Ele publicou uma mensagem em seu Twitter na manhã deste domingo sugerindo que os eleitores fotografem ou filmem as urnas eletrônicas que apresentarem falhas.

O ato é considerado crime pela Lei Eleitoral nº 4737/65. A legislação proíbe qualquer tipo de registro, seja foto ou gravação, durante o uso da cabine de votação.

A hashtag #FraudeNasUrnasEletronicas também foi um dos temas que atingiu o Trending Topics do Twitter.

Em um evento do TSE, no último sábado (6), a procuradora-geral Eleitoral, Raquel Dodge, e a presidente da Corte Eleitoral, a ministra Rosa Weber, defenderam a segurança do processo eleitoral brasileiro. Na cerimônia, foram conferidas a autenticidade e a integridade de quatro softwares utilizados no recebimento dos arquivos das urnas eletrônicas e a inserção dos dados no sistema de totalização do TSE.

Edição: Cecília Figueiredo