Militância

No Dia das Crianças, pequenos se engajam e pedem basta ao fascismo

Mobilização em Brasília tem como pano de fundo o avanço conservador no país e a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL)

Brasil de Fato | Brasília (DF)

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Servidora pública Clara Fagundes com a filha Helena, de 4 anos, durante oficina de cartazes em Brasília / Cristiane Sampaio

Em Brasília (DF), o Dia das Crianças se faz com brincadeiras e diversão, mas também com engajamento social e político. Reunidos no Eixão, principal avenida da cidade, pais e filhos aproveitam esta data para se envolver na luta contra o avanço conservador no país.

Juntos, eles organizam, ao longo desta sexta-feira (12), o evento “Crianças contra o baixo astral”, que consiste na produção de cartazes e pinturas que visam à formação crítica dos pequenos.

Segundo a pedagoga Mônica Padilha, uma das organizadoras da atividade, a inclusão de uma pauta política na programação do Dia das Crianças se baseia no interesse de pais e educadores em incentivar o exercício da cidadania desde a infância.

Ela destaca a preocupação com discursos que incentivam a violência no país e defende uma maior conscientização do público infantil sobre a importância da cultura da paz. 

“A gente acha importante que as crianças participem desses momentos, que elas também saibam o que está acontecendo de grave no nosso país. Criança é cidadã”.  

A servidora pública Clara Fagundes levou a filha Helena, de 4 anos, para participar da atividade. Ela conta que se preocupa com o futuro da menina como cidadã, especialmente quando o assunto é a questão da tolerância e do respeito ao próximo.

A servidora contesta, por exemplo, propostas defendidas pelo candidato à presidência da República de extrema direita Jair Bolsonaro (PSL), que se posiciona pela generalização do uso de armas e outras medidas radicais como possíveis políticas de segurança pública.

“Você ensina pra criança que, quando o colega toma um brinquedo, ela deve ir lá falar com ele, e não bater no colega, mas aí vai dizer que um adulto pode dar um tiro numa pessoa? Como é que você ensina a uma criança que não pode bater, mas vai defender que as pessoas andem armadas?”.

A pequena Helena, de apenas 4 anos, já entende, ainda que minimamente, o cenário e conta que teme a liberação do uso de armas no país.

“A gente vai ficar matando pessoas à toa?”, questiona.

A defesa dos direitos das mulheres também é uma preocupação da servidora pública, que tenta conversar sobre o assunto com a filha, inclusive por conta do avanço conservador, que, entre outras coisas, defende uma limitação nesses direitos.  

A menina também já ensaia, juntamente com a mãe, algumas palavras em defesa dos próprios direitos e dos valores democráticos.

"Uma manhã eu acordei e vi ecoar ‘ele não’, ‘ele não’, ‘ele não’. Uma manhã eu acordei e lutei contra o opressor. Somos mulheres, a resistência de um Brasil sem fascismo e sem horror. Sigamos juntas pra derrotar o ódio e pregar o amor”, canta, em referência à letra da música atribuída à luta feminista.

Edição: Luiz Felipe Albuquerque