Opinião

Coluna Curto e Grosso | O poder político das torcidas organizadas

Não por acaso, a imprensa burguesa, promotores de justiça e polícias militares perseguem os grupos

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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Essas torcidas, em geral, têm numerosos trabalhadores, unidos pela paixão a um clube / Foto: Reprodução

Recentemente, as torcidas Gaviões da Fiel, do Corinthians, e Torcida Jovem, do Santos, manifestaram repúdio à candidatura de Jair Bolsonaro. Elas têm razão para temer um governo da extrema-direita? 

Essas torcidas, em geral, têm numerosos trabalhadores, unidos pela paixão a um clube. Suas atividades, porém, vão além de portar faixas e bandeiras: organizam festividades, têm escolas de samba, promovem campanhas beneficentes, como doação de brinquedos e de sangue, etc. 

Essas torcidas têm um potencial político enorme e são um verdadeiro estorvo para o poderosos. Não por acaso, a imprensa burguesa, promotores de justiça e polícias militares acusam, perseguem e recriminam as organizadas. 

Alguns fatos recentes: em 2015, oito corintianos da Pavilhão 9 foram mortos em chacina feita por PMs; desde 2016, a torcida palmeirense está proibida de se concentrar nas ruas do estádio do clube antes dos jogos; em 2018, voltaram as restrições a faixas e bandeiras em estádios paulistas; em todo o Brasil, autoridades ameaçam organizadas de terem que fechar as portas; os preços extorsivos dos ingressos afastam o público pobre dos estádios. Mesmo assim, o povo continua a gostar de futebol e as organizadas sobrevivem.

Por tudo isso, a vitória de Bolsonaro, conjugada com o aumento de militares no Legislativo é motivo para preocupação. As organizadas, verdadeiras tropas populares, farão um grande serviço ao povo brasileiro se usarem politicamente seu potencial contra a direita. A Resistência Azul Popular e a Galo Marx parecem saber bem disso.

Edição: Wallace Oliveira