Autocrítica

Gleisi Hoffmann: “não é mesmo um momento de festa”

Presidenta nacional do PT comentou crítica de Mano Brown, afirmando a defesa da classe trabalhadora

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

,

Ouça o áudio:

Gleisi e Rui Falcão concedem entrevista coletiva após visitar Lula em Curitiba / Foto: Juca Varella

A presidenta nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffmann, disse concordar com a crítica feita pelo rapper Mano Brown, na terça-feira (23), durante ato político no Rio de Janeiro.

O cantor e compositor do conjunto Racionais MCs disse que “este não é um momento de festa” e ressaltou que o PT precisa voltar a ouvir o povo. Para Hoffmann, o PT entende que o país vive um “momento dolorido” e, por isso, tem reafirmado sua posição em defesa dos direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras. 

Nesta quinta (25), Hoffmann e Rui Falcão, recém eleito deputado federal do PT pelo estado de São Paulo, visitaram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. Após a visita, eles concederam entrevista coletiva. 

“Eu concordo com ele [Mano Brown], não é mesmo um momento de festa. O povo está sofrendo, o povo está passando necessidade, tem gente desempregada, sem renda. É um momento muito duro para o Brasil, dolorido para o nosso povo. E a gente sabe disso”, afirmou Gleisi.

A parlamentar ressaltou, no entanto, a importância dos governos petistas para a conquista de direitos da classe trabalhadora. Ela lembrou que, desde as eleições presidenciais de 1989, quando Lula disputou o segundo turno com Fernando Collor, o PT tem pautado suas campanhas em defesa de um projeto popular para o país. 

“Quem é que tem relação com o povo no sentido das propostas, de representar os direitos e defender o povo brasileiro? É o PT. Eu acho que o PT cumpre um papel fundamental em defesa dos direitos dos trabalhadores e vai estar do lado do povo brasileiro sempre, em qualquer circunstância”, disse Hoffmann. 

Para Rui Falcão, houve uma tentativa de “liquidar” o PT, com a disseminação de mentiras nas redes sociais, promovida pela campanha de Jair Bolsonaro (PSL). O fato de o PT, ainda assim, ter formado a maior bancada de deputados na Câmara Federal (com 57 parlamentares) mostra a necessidade de valorização da militância que tem ido às ruas defender o projeto petista, na visão de Falcão.

Caixa de Pandora

Rui Falcão também criticou o discurso de violência que Jair Bolsonaro tem empregado em sua campanha. Em discurso transmitido em telão na Avenida Paulista, no último domingo (21), sob gritos de “fora PT”, Bolsonaro afirmou que vai fazer “uma limpeza nunca vista na história desse Brasil” e vai “varrer do mapa esses bandidos vermelhos do Brasil”.

“Quando você destampa a caixa de pandora, os demônios ficam soltos. E ele [Bolsonaro] mesmo reconhece que não tem controle sobre essa horda fascista que ajudou a criar”, disse. 

Para Falcão, independente do resultado da eleição de domingo (28), a população não aceitará um cenário econômico de recessão, nem de retrocessos em direitos já conquistados. “Quando você assume um governo, depois de um certo tempo a população cobra seu preço, mesmo aqueles que apoiaram”, afirmou.

Edição: Diego Sartorato