Resistência

Artigo | O silêncio dos não inocentes

A violência contra o povo negro, os indígenas, as mulheres e os homossexuais não é nova... Ela é secular.

Brasil de Fato | Londrina (PR)

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Não se pode aceitar calado o que acontece neste momento, pessoas sendo mortas por causa da sua ideologia, orientação sexual ou origem. / Giorgia Prates

No Brasil, estamos assistindo atônitos ao crescimento do racismo, machismo, do fascismo e da homofobia. A nação, que se dizia cordial e vivia em harmonia de povos, abandonou sua postura de educação e gentileza para abraçar o ódio e desprezo. O que mais assusta é que essa mudança contou com o silêncio de partidos políticos, mídia, pessoas influentes, religiões e estruturas do estado. 

Um episódio recente demonstrou que os povos, ditos minorias, estão abandonados à própria sorte. A Ku Klux Klan, grupo estadunidense que ficou famoso no mundo inteiro por queimar negros na cruz ou enforcá-los em árvores, declarou apoio à candidatura de deputado Jair Bolsonaro. E, até este momento, o que se ouviu foi apenas o repúdio de movimentos sociais e políticos de esquerda. A grande mídia calou-se. Igrejas fizeram silêncio. Partidos de centro e direita nem pautaram o assunto. As pessoas influentes qute sempre vestem a camisa amarela e batem panela fizeram cara de paisagem. 

O atual governo não agiu, diferentemente do que faz nesses casos, não levantou um dedo em defesa dos negros e pobres brasileiros. Nem o próprio candidato se posicionou contra esse absurdo proferido por um grupo reconhecidamente racista. 

Não se pode aceitar calado o que acontece neste momento, pessoas sendo mortas por causa da sua ideologia, orientação sexual ou origem. Pessoas que se acham superiores aos outros, verdadeiros trogloditas, querendo ganhar o debate na força bruta. A nação tem que reagir e se erguer contra essa onda racista, homofóbica, machista e fascista. Dizer não a qualquer tipo de violência seja de dentro ou de fora do país. Não podemos permitir que grupos internacionais em conluio com setores dirigentes do país interfiram na construção de uma nação igualitária, justa e plural. 

 

*José Mendes Palmares, militante no Movimento Negro de Londrina e trabalhador da Eletrobras

Edição: Frédi Vasconcelos