Resistência

Eleitores vão às urnas com livros para protestar contra conservadorismo

Nas redes sociais, eleitores fizeram postagens com obras preferidas na campanha "mais livros e menos armas"

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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A atriz Camila Pitanga levou uma biografia de Nelson Mandela / Reprodução Facebook

Durante todo o domingo, pelas redes sociais, os eleitores participaram de um protesto criativo para marcar posição contra o pensamento conservador. 

Sem desrespeitar a legislação eleitoral, que proíbe a chamada campanha de "boca de urna", os eleitores foram aos colégios levando seus livros preferidos. Muitos artistas aderiram à campanha contra o conservadorismo e o fascismo.

O ator Bruno Gagliasso levou a ficção infanto-juvenil "O Ódio que Você Semeia", da escritora americana Angie Thomas.

A atriz Deborah Secco foi votar com a família e levou a obra "A Vida Como Ela É", uma coletânea de crônicas do jornalista e escritor Nelson Rodrigues.

A atriz Drica Moraes escolheu o livro "Para educar Crianças Feministas", da escritora Chimamanda Ngozi Adichie.

O jornalista e escritor Gilvan Ribeiro levou a biografia do jogador Casagrande e outro sobre a relação do jogador com o amigo Sócrates, os dois foram líderes do movimento Democracia Corintiana. Gilvan é co-autor das duas obras.

"Consultei meu arsenal para escolher as armas com as quais iria votar para presidente contra o fascismo no Brasil. Meus olhos brilharam diante de artefatos de alto poder de fogo produzidos por Machado de Assis, Carlos Drummond de Andrade, Dostoiévski, Kakfa, Chico Buarque, Ionesco, Nelson Rodrigues, Gabriel García Marquez e tantas outras opções…. que ficou até difícil decidir quais levar à zona de guerra eleitoral. Refleti um pouco e cheguei à conclusão de que a luta está apenas começando e não seria estratégico usar agora artilharia pesada. Preciso guardar meus trunfos para o futuro. Resolvi, então, ir munido apenas de duas bombas de fabricação caseira.", escreveu o autor.

A design Karina Cardenás escolheu o livro "Holocausto Brasileiro" que relata a história da colônia manicomial de Barcena, em Minas Gerais, onde morreram mais de 60 mil pessoas. A obra é da escritora Daniela Arbex. " Ele retrata o resultado de políticas higienistas e de extermínio. Políticas essas que querem excluir e matar o povo negro, os pobres, as mulheres.Todos aqueles se são tidos como indesejáveis. Escolhi porque Bolsonaro representa essa parte da sociedade higienista", disse a design.

A psicoterapeuta Camila Kfouri escolheu o livro "As Veias Abertas da América Latina", do escritor Eduardo Galeano. "É autoexplicativo", disse.

O poeta Sérgio Vaz levou o livro "Morte e Vida Severina", um épico de João Cabral de Melo Neto.

O ator Sidney Santiago preferiu levar três obras que falam sobre teatro e questões raciais. "Negror", "Zumbi Assombra Quem?" e "Não vou mais lavar pratos".

O jornalista Fausto Salvadori levou para a urna o livro "Mães em Luta", uma coletânea das histórias sobre a violência policial no Estado de São Paulo e da militância do Movimento Mães de Maio.

Edição: Brasil de Fato