Em eleição marcada por notícias falsas, Jair Bolsonaro é eleito presidente do Brasil

Diversos atos de apoiadores do capitão da reserva também marcaram a campanha de Bolsonaro

Em eleição marcada por notícias falsas, Jair Bolsonaro é eleito presidente do Brasil



Com 99,9% das urnas apuradas, Jair Bolsonaro, do Partido Social Liberal (PSL), foi eleito presidente da República. A posse será realizada no dia 1º de janeiro, em Brasília. Confira abaixo o perfil do político que superou Fernando Haddad (PT) nas eleições 2018, baseado no discurso de ódio e sustentado pela propagação de notícias falsas pelo Whatsapp.

Jair Bolsonaro é militar da reserva e deputado federal há 27 anos. Antes de se candidatar à presidência da República, estava em seu sétimo mandato na Câmara dos Deputados, eleito todas as vezes pelo Partido Progressista (PP). Apenas em 2018, integrou-se ao PSL.

Nascido em 21 de março de 1955 na cidade de Campinas, interior de São Paulo, Bolsonaro é filho de Perci Geraldo Bolsonaro e de Olinda Bonturi, descendentes de famílias italianas. Foi aluno da Escola Preparatória de Cadetes do Exército e formou-se na Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende (RJ), em 1977. Seis anos depois, formou-se no curso de Educação Física do Exército. Também cursou a Brigada de Paraquedismo do Rio de Janeiro.

O político da extrema direita casou-se três vezes. Entre 1993 a 2001, com a vereadora Rogéria Nantes Nunes, com quem teve três filhos: Eduardo Bolsonaro, reeleito deputado federal no último pleito, Flávio Bolsonaro, eleito senador, e Carlos Bolsonaro, vereador no Rio de Janeiro. Após se separar, casou com Ana Cristina Vale, com quem teve outro filho, Renan Bolsonaro, de 20 anos. Em 2013, casou-se com Michelle de Paula Firmo Reinaldo, com quem tem uma filha.

Ao longo de seus sete mandatos no Congresso, teve apenas dois projetos aprovados: uma proposta que estendia o benefício de isenção do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) para bens de informática e um projeto de lei que autorizava o uso da chamada “pílula do câncer” -- barrado posteriormente pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente eleito tem o General Hamilton Mourão como vice.

Ao declarar o seu voto no processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, o então deputado federal fez uma homenagem ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, chamando-o de “o pavor de Dilma Rousseff” -- por ter comandado as sessões de tortura contra a ex-presidenta, presa durante a ditadura militar.

Desde o início das eleições, Bolsonaro foi alvo da campanha #EleNão, que mobilizou milhões de pessoas pelo país. O militar reformado é conhecido por sua posições polêmicas, como por exemplo, a defesa dos militares, do porte de arma, além de declarações preconceituosas e discriminatórias contra negros, mulheres e homossexuais.

Na reta final do segundo turno, reportagem investigativa publicada pela Folha de S. Paulo denunciou que empresas compraram pacotes de disparos em massa de mensagens contra o Partido dos Trabalhadores (PT) no WhatsApp, beneficiando diretamente Bolsonaro.

O PT entrou com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral no TSE, para que se investigue a chapa de Bolsonaro por abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação. Se a ação chegar às suas consequências finais, o mandato de Bolsonaro poderá ser cassado.

  • Embora diga que não tem nada a ver com o atual governo federal, Bolsonaro é fiel aos interesses de Temer. O partido dele (PSL) foi a favor de quase 68% das votações da Câmara apoiadas pelo atual presidente da República. Bolsonaro votou a favor, por exemplo, da proposta que limita gastos do governo em educação e saúde; e também foi a favor da retirada de direitos dos trabalhadores com a reforma trabalhista. Ah, vale lembrar que ele votou contra a proposta que garantia direitos como férias e 13º salário a empregadas domésticas.

    Leia mais
  • O Brasil de Bolsonaro promete ser um país com menos dinheiro no bolso dos trabalhadores. O vice-candidato de Bolsonaro, general Mourão, acha que direitos como 13º salário e férias remuneradas são exageros da nossa CLT. "Se a gente arrecada 12, como pagamos 13? É complicado. É o único lugar em que a pessoa entra em férias e ganha mais. Coisas nossas, legislação que está aí".

    Leia mais
  • Com um patrimônio declarado à justiça eleitoral de R$ 2,2 milhões, Bolsonaro acha que o número de brasileiros que recebem R$ 187 por vmês do Bolsa-família é exagerado. Atualmente, 13,7 milhões de pessoas são beneficiárias do programa. Em suas falas, o candidato já ironizou o uso do Bolsa-Família no Nordeste, alegando que por lá as pessoas não trabalham apenas para ganhar o benefício. Dúvida: quem deixaria de trabalhar para ganhar míseros R$ 187?


    Leia mais
  • Apesar de se apresentar como "o novo" na nossa política, Bolsonaro é deputado federal pelo Rio de Janeiro há 24 anos. Ah, e mudou de partido 9 vezes no período. Aliás, a saga continua na família de Bolsonaro, já que além dele, outros três filhos seus exercem mandatos parlamentares. Mesmo sendo dono de um apartamento em Brasília e de políticos da sua família serem donos de 12 imóveis, não abriu mão do auxílio-moradia de cerca de R$ 4 mil.


    Leia mais
  • Nem as filas nos hospitais, nem a falta de remédios em localidades do Brasil convencem Bolsonaro a investir mais em saúde pública. Ele foi o único candidato dessas eleições a não defender mais recursos para a área em seu plano de governo. Vale lembrar que o SUS atende 80% da população e foi um hospital público que evitou que o candidato do PSL sofresse consequências mais graves da facada que levou durante a campanha presidencial em Juiz de Fora (MG), em setembro.


    Leia mais
  • Bolsonaro pretende piorar ainda a situação do desconto do imposto de renda para famílias pobres. Ele propõe que a taxa de desconto (a chamada alíquota) do tributo sobre o salário seja a mesma para toda a população: 20%. Ou seja, quem ganha 2 salários mínimos pagaria valor proporcionalmente igual àqueles que ganham 30. No extremo oposto, o rival dele nas eleições, Fernando Haddad, promete isentar do IR quem ganha até 5 salários mínimos.


    Leia mais
  • Embora o lema de Bolsonaro seja “O Brasil acima de tudo”, medidas aprovadas por ele no Congresso Nacional mostram que o candidato não é tão comprometido com os interesses do nosso país.

    1-) O governo Temer entregou a exploração da camada de pré-sal (que era exclusividade do Brasil, via Petrobras) a empresas estrangeiras. Bolsonaro votou a favor da medida.

    2-) A venda da brasileira Embraer aos Estados Unidos (e que ainda aguarda avaliação do governo se pode ser feita ou não) conta com apoio do candidato do PSL. A medida coloca em risco desde empregos até a defesa do país, já que a estatal é responsável por produzir aeronaves para proteção do nosso espaço aéreo


    Leia mais
  • Com apenas três anos de carreira militar, em 1986, Bolsonaro foi preso acusado de planejar explodir bombas em quartéis do Exército e outros locais do Rio de Janeiro, além de escrever informações sobre o assunto em um artigo à revista "Veja". O objetivo seria pressionar o governo a dar aumento salarial para as Forças Armadas. Ele negou a autoria do plano, mas a perícia da Polícia Federal concluiu que as anotações eram dele. Bolsonaro reconheceu a autoria do artigo em 1988.


    Leia mais