REPERCUSSÃO

Manchetes dos principais jornais do mundo mostram rejeição a Bolsonaro

Imprensa intencional analisa os impactos da eleição no Brasil e a ascensão da direita

Brasil de Fato | Caracas, Venezuela

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Jornal mexicano mostra ascensão de candidato que representa ideia radicais e alimento o ódio / La Jornada

O mundo assistiu com assombro à vitória do candidato de extrema direita Jair Bolsonaro. Os principais jornais e canais de televisão do mundo trouxeram a notícia em suas capas com preocupação.

O Washington Post, um dos mais importantes jornais dos Estados Unidos, destacou o tema da eleição no Brasil na sua capa da edição impressa. O título dizia: “Brasil elege presidente de extrema direita e preocupa grupos de direitos humanos”. No início da reportagem, o jornal mostrou que a campanha de Bolsonaro “construiu uma onda de fúria entre os eleitores, marcando a mudança mais dramática para a direita no maior país da América Latina desde o fim da ditadura militar, durante a época da Guerra Fria”.

“O discurso ofensivo de Bolsonaro emocionou os seguidores e deixou os críticos apavorados”, diz chamada na página principal da edição digital do The New York Times, também dos Estados Unidos. Em outra reportagem, o jornal ressalta que Jair Bolsonaro representa “a extrema direita”.

O jornal  lembrou ainda que o presidente eleito discursa “contra mulheres, gays, brasileiros de cor e até a democracia". A mesma matéria trouxe uma análise do impacto dessa eleição para a região. “Bolsonaro, que assumirá o comando da maior nação da América Latina, está mais à direita do que qualquer presidente da região, onde os eleitores abraçaram recentemente líderes mais conservadores na Argentina, Chile, Peru, Paraguai e Colômbia”. 

Mesmo o canal conservador Fox News, classificou a eleição de Bolsonaro como “impressionante”. O canal de televisão norte-americano afirma em sua reportagem que Bolsonaro “é o último de vários líderes em todo o mundo a ganhar destaque ao misturar conversas duras, muitas vezes violentas, com posições de direita. Mas ele também é um produto de uma tempestade política no Brasil, que tornou suas mensagens menos marginalizadas”.

O jornal La Jornada, do México, estampou o título “O neofascista Jair Bolsonaro se impõe no Brasil". Na reportagem, de autoria do escritor Eric Nepumuceno, o jornal mexicano ressalta que “é a primeira vez que um candidato de extrema direita, que se declara misógino, racista e homofóbico, teve a maioria dos votos do eleitorado brasileiro”. 

Já o Le Monde, da França, afirma: “Bolsonaro, a vitória de um ilusionista sem escrúpulos”. Em um artigo de análise, o periódico francês publicou duras críticas a Jair Bolsonaro, dizendo que ele “é especialmente conhecido por sua violência verbal e suas reações ultrajantes. Durante muito tempo, o futuro presidente brasileiro não foi levado a sério”.

Também na Europa, dois grandes meios do Reino Unido, o The Guardian e a BBC de Londres trouxeram a eleição de Bolsonaro como destaque. “Brasil agora tem o mais extremista dos presidentes de qualquer país democrático no mundo”, dizia matéria do Guardian. O jornal ressaltou também que o “Brasil troca política de esperança por raiva e desespero”. No interior da matéria, os detalhes apontam para uma onda mundial. “Os eleitores do Brasil parecem ter seguido uma tendência evidente nas democracias em apuros ao redor do mundo, trocando as políticas de esperança por ‘anti-política’."

A BBC destacou a preocupação dos opositores de Bolsonaro. “Os críticos estão preocupados com seu elogio à antiga ditadura do Brasil e por seus comentários sobre raça, mulheres e homossexualidade. Em um episódio infame em 2015, ele disse a uma parlamentar que ela era muito feia para ser estuprada”, diz a matéria.

Políticos do mundo inteiro mostram preocupação

Um dos fundadores do partido Podemos, da Espanha, Juan Carlos Monedero, chamou atenção para um vídeo que viralizou, onde militares desfilam e comemoram a vitória do Bolsonaro no Brasil. “Ganhou Bolsonaro, uma pessoa que fez com que o exército da ditadura voltasse às ruas ontem”, escreveu Monedero no Twitter.

O ex-candidato à presidência da Colômbia, Gustavo Petro, lembrou que Lula poderia ter sido eleito o presidente do Brasil, se não estivesse preso. “Se não houvessem sido cometidas arbitrariedades no Brasil, hoje o presidente do Brasil se chamaria Lula. Era o caminho para um capitalismo democrático, com forte investimento social”, escreveu Petro em suas redes sociais.

Pepe Mujica, ex-presidente do Uruguai, enviou uma mensagem de esperança aos brasileiros que agora se colocam à oposição do futuro governo de Bolsonaro. “Não existe derrota definitiva”, disse.  Dias atrás, Mujica também afirmou que o povo também se equivocou na Alemanha nazista, ao eleger Adolf Hitler, em 1934.

“A vida é uma luta permanente com avanços e retrocessos. Não é o fim do mundo. Portanto, devemos aprender com os erros que cometemos e recomeçar. Isso deve ser permanente”, disse Mujica em vídeo divulgado pelo jornal argentino Página 12.

Edição: Pedro Ribeiro Nogueira