Fotografia

Mudança de vida das pessoas ao conquistarem energia elétrica é tema de exposição

Em cartaz em BH, imagens registram nova rotina, autoestima e cidadania de quem teve um direito garantido

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

,
Imagens são das ocupações Irmã Dorothy e Camilo Torres, em BH, e do antigo Assentamento do Glória, em Uberlândia / Foto: Euler Jr.

Imagine acompanhar o processo de instalação de energia elétrica em uma comunidade que há muito tempo - ou nunca - havia convivido com esse direito básico. Essa foi a ideia que culminou na exposição do fotógrafo Euler Jr., que está em cartaz até o dia 5 de novembro, na Galeria de Arte Cemig, em Belo Horizonte. 

Na capital, Euler pôde vivenciar a chegada da luz às ocupações Irmã Dorothy e Camilo Torres, iniciadas em 2010 na região do Barreiro, e no bairro Élisson Pietro, antigo Assentamento do Glória, criado em 2012, na cidade de Uberlândia.

O resultado do olhar do artista se materializou em dez imagens que mostram não os equipamentos, fios ou os postes, mas a intimidade da casa dos moradores e como ter a energia garantida impactou suas vidas.

“Nesse trabalho, ouvi coisas que nunca imaginaria. Por exemplo, ter a fatura de luz para eles era uma felicidade. ‘Quem quer pagar conta?’, a gente pensa. Mas é porque isso acaba por torná-los mais cidadãos… Muitos me disseram que nunca tiveram um comprovante de endereço e assim perderam oportunidades. Hoje, eles têm”, reflete o fotógrafo.

Realidade do povo

Euler lembra que, para muitos brasileiros, não ter energia significa ficar sem TV, sem som, sem internet. No entanto, para outros, é questão de sobrevivência. Ele conta o caso de Ana, criança com uma doença rara no coração que depende do inalador em casos de crise. Ela fica diariamente ao lado do aparelho e pode morrer sem seu uso. 

Outra moradora, que utilizava ‘gato’ (energia irregular), perdeu toda a insulina que tinha pegado no posto de saúde para um período de três meses. A luz caiu por quatro dias e o medicamento não foi conservado. 

De acordo com dados da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), ligações clandestinas representam a segunda maior causa de mortes com eletricidade no Brasil, atrás apenas de acidentes fatais na construção civil.

Para além do risco à saúde, o fotógrafo percebeu de perto a diferença de autoestima, postura e semblante das pessoas quando recebem o que lhes é de direito. “Mexeu muito comigo… O impacto é violento. Você precisa ver quando os caminhões, os postes chegavam. Era o assunto da comunidade. É ali que eu vi gente começar a se sentir gente, se sentir igual”. 

Serviço

Exposição “Cemig nas Comunidades”

Local Galeria de Arte Cemig

Endereço Av. Barbacena, 1.200 - Santo Agostinho, BH 

Quando Até 5 de novembro 

Horário Segunda a sexta, de 8h às 19h

 

Edição: Joana Tavares