Contexto

Bannon e Bolsonaro: A Democracia Hackeada

Discurso de ódio, teorias da conspiração e “fake news” formam a base da tática de Bannon e também de Bolsonaro

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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A democracia brasileira já havia sido hackeada por Bolsonaro e Bannon, este último sim o verdadeiro vencedor das eleições. / Adriano Machado/Reuters

As análises sobre o comportamento do eleitor brasileiro no domingo (28) seguem diferentes caminhos. São muitas as explicações sobre como Jair Bolsonaro (PSL) foi escolhido presidente do Brasil, mas certamente o nome do estadunidense Steve Bannon deve estar nas análises. Em 2016, Bannon teve papel fundamental na eleição que levou Donald Trump à presidência dos EUA. Antes da campanha de Trump, Bannon dirigiu o site Breitbart News que, nas palavras da revista Time, continha "material racista, sexista, xenofóbico e antissemita na veia da direita alternativa".

Ao lado do bilionário Robert Mercer, Bannon co-fundou a Cambridge Analytica (CA), uma empresa privada que combinou a mineração e análise de dados com comunicação estratégica em eleições. Christopher Wylie, um dos "cérebros" da Cambridge Analytica, descreveu a empresa como "o arsenal de armas de Bannon para travar uma guerra cultural na América usando estratégias militares". 

Wylie delatou o escândalo de uso ilegal de dados e manipulação eleitoral que levou ao fechamento da CA. Ao jornal El País, ele afirma que Bannon manipulou os republicanos para saírem do tradicional “não gosto dos impostos” para o debate mais radical como “Obama vai roubar minhas armas através de um exército secreto”. Discurso de ódio, teorias da conspiração e “fake news” formam a base da tática de Bannon e também de Bolsonaro. Não por acaso, Bannon aconselhou a campanha de Bolsonaro. A parceria foi selada em um encontro (em agosto) entre o estadunidense e Eduardo Bolsonaro. Quando revelado o grande esquema de disparos em massa de “fake news” contra Fernando Haddad (PT) nas eleições, já era tarde demais. A democracia brasileira já havia sido hackeada por Bolsonaro e Bannon, este último sim o verdadeiro vencedor das eleições.

Guilherme Daldin é cineasta e Fernando Marcelino é cientista político. 

Edição: Frédi Vasconcelos