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Artigo | Moro, como Dória, é um tucano que virou Bolsonaro

A adesão do juiz Sérgio Moro ao governo Bolsonaro não prova, agora, que ele seja um “político”. Isso já estava provado.

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Em 2016, Moro tornou públicos telefonemas grampeados de Lula e Dilma Rousseff, poucos dias das mobilizações em favor do impeachment de Dilma
Em 2016, Moro tornou públicos telefonemas grampeados de Lula e Dilma Rousseff, poucos dias das mobilizações em favor do impeachment de Dilma | Crédito: Heuler Andrey/ AFP

A adesão do juiz Sérgio Moro ao governo Bolsonaro não prova, agora, que ele seja um “político”. Isso já estava provado há muito tempo. 

A demonstração mais evidente ocorreu em março de 2016, quando Moro tornou públicos telefonemas grampeados de Lula e da então presidenta Dilma Rousseff. Por “coincidência”, a poucos dias das mobilizações convocadas em favor do impeachment de Dilma. 

O juiz, como era de se esperar, foi o “herói” daqueles atos. E não se fez de rogado. Na mesma noite, soltou nota confessando-se “tocado pelo apoio” à Lava Jato e sugerindo que “autoridades e partidos” ouvissem “a voz das ruas” e cortassem “na própria carne” – isto é, aderissem ao impeachment. 

Moro, portanto, sempre foi político. O curioso, apenas, é que ele parecia tucano. Por várias vezes posou ao lado de lideranças do PSDB. O episódio mais estrondoso foram as fotos constrangedoramente íntimas com Aécio Neves, ao receber – junto com Temer e um rol de tucanos – prêmio da revista IstoÉ, em dezembro de 2016. 

Um “tucano”, inclusive, internacional, vinculado ao Partido Democrata dos Estados Unidos e apoiado pelo prestigioso Woodrow Wilson Center, onde proferiu palestras e deu entrevistas (o nome homenageia o presidente estadunidense – e democrata – durante a I Guerra Mundial, o mais célebre dos “globalistas” adeptos de “intervenções humanitárias” nos países atrasados). 

Essa é uma transformação notável, não apenas de Sérgio Moro, mas de todo o processo golpista. Inicialmente estimuladas por grupos estadunidenses vinculados ao Partido Democrata e às “revoluções coloridas”, a Lava Jato e a perseguição ao PT de certo modo “saíram do controle” e caíram no colo dos grupos protofascistas do Partido Republicano, os mesmos que elegeram Donald Trump. 

 

Paulo Bearzoti Filho, professor e militante do Movimento Popular por Moradia.

Editado por: Laís Melo
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