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Haddad anuncia participação em frente internacional contra extrema direita

Em visita a Lula, ex-ministro critica Steve Bannon e a política externa dos EUA: "Próximo alvo deles é a União Europeia"

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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Fernando Haddad visitou o ex-presidente Lula em Curitiba nesta quinta-feira (22) / Joka Madruga / PT Nacional

O ex-ministro da Educação e ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), está com a agenda lotada. Dedicado às articulações da Frente Progressista Internacional, que visa se contrapor ao avanço da extrema direita no mundo, ele encontrou tempo para conversar com exclusividade com o Brasil de Fato nesta quinta-feira (22), em Curitiba (PR). Passadas as eleições 2018, o assunto é a necessidade de enfrentar o movimento autoritário que ameaça promover retrocessos em vários continentes.

Haddad concedeu uma breve entrevista após visitar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na superintendência da Polícia Federal, no bairro Santa Cândida, e saudar os integrantes da Vigília Lula Livre. O petista critica a política externa estadunidense e evidencia sua preocupação com as ameaças do futuro governo Bolsonaro (PSL) – que pode abrir espaço para a venda as principais ferramentas de indução da economia, como a Petrobrás.

Confira abaixo os melhores momentos da entrevista:

Brasil de Fato – O que se está desenhando no momento é uma articulação internacional progressista. Mas, é possível organizar um campo progressista a nível mundial?

Fernando Haddad – O que está caracterizado hoje é que este não é um movimento local. A extrema direita está ganhando peso no mundo, para cortar direitos e fazer o ajuste neoliberal em cima dos trabalhadores. E eles estão juntando isso a uma pauta regressiva, do ponto de vista da cultura, para legitimar o desmonte do Estado de bem-estar social. É disso que se trata.

Então, nós temos que nos contrapor a isso, e existem forças no mundo dispostas a se organizar. Inclusive, porque eles usam métodos baixos para fazer valer os seus interesses. Essa manipulação de informações via redes sociais, patrocinada por grandes empresários, sobretudo os barões americanos do petróleo, está saltando aos olhos.

O Steve Bannon [assessor político estadunidense que atuou como estrategista-chefe da Casa Branca no governo Donald Trump] é um cara financiado por pessoas ligadas à indústria do petróleo. Como você vai se contrapor a isso, ao poder econômico das pessoas que impulsionam informações – ainda se fossem verdadeiras! – que são falsas sobre as pessoas? Então, a democracia não vai subsistir. E o próximo alvo deles é a União Europeia. Querem destruir a União Europeia para fazer valer os interesses estadunidenses.

Isso abre espaço para se atualizar a crítica ao papel dos Estados Unidos na geopolítica mundial?

Quando falamos de Estados Unidos estamos falando do governo Trump, porque a cada quatro anos tem uma eleição lá. De repente, em 2020, você pode ter uma mudança do quadro, buscando uma governança mais equilibrada no mundo.

O Trump joga com o desequilíbrio mundial em proveito dos Estados Unidos, como se o país líder não tivesse responsabilidades com o equilíbrio mundial – inclusive do ponto de vista social. Isso só está trazendo sofrimento para as pessoas.

Você sempre defendeu a necessidade de um modelo de desenvolvimento para o país. Como você vê, agora, o futuro governo ameaçando vender nossas ferramentas de indução da economia?

A diferença do governo Bolsonaro [para o atual] – anunciada, né? – é que ele é mais radical na economia, neoliberal na economia e regressivo na cultura, coisas em que o [Michel] Temer não se meteu muito. Ele não se meteu muito no debate sobre direitos civis… mexeu muito levemente, mas não chegou a ameaçar os direitos civis.

O Bolsonaro, sim, é uma ameaça aos direitos civis, e essa é a diferença para o governo Temer. O governo Temer lutou contra os direitos sociais, e o Bolsonaro vai aprofundar essa agenda, de corte e de alienação do patrimônio.

 

 

Edição: Daniel Giovanaz