Memória

Artigo | A história por trás de Luiz Gama

Ele, um dos grandes lutadores contra o escravismo no Brasil, a quem a história oficial não dá muita importância

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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Sua mãe participou de todas as revoltas negras de Salvador no início do século XIX. / Reprodução

Um dos grandes lutadores contra o escravismo no Brasil, a quem a história oficial não dá muita importância, é Luiz Gama. Ele nasceu em Salvador, em 1830, filho de uma negra livre, Luíza Mahin, e de um fidalgo de origem portuguesa.

Sua mãe participou de todas as revoltas negras de Salvador no início do século XIX. Em 1837, depois da tentativa de proclamar a “República Bahiense”, na Sabinada, ela teve que fugir para não ser presa e provavelmente morta. Deixou o filho com o pai e foi para o Rio de Janeiro. E o pai se revelou um canalha: vendeu como escravo o filho que completara 10 anos de idade, para pagar dívidas de jogo. 

Levado para São Paulo, ele não foi comprado por ninguém, pois quando sabiam que era baiano os senhores de escravos paulistas temiam que induzisse outros escravos a se rebelarem, porque na Bahia houve muitas revoltas contra a escravidão. Assim ficou sendo escravo do próprio traficante. 

Luiz Gama aprendeu a ler e escrever com um estudante que se hospedou na casa onde era um escravinho que fazia de tudo. Mais tarde, conseguiu provar na Justiça que era um homem livre, não podia ser escravizado. 

Depois leu a biblioteca jurídica inteira de um desembargador com quem foi trabalhar, tornou-se um rábula, advogado não formado, que na época podia exercer a profissão, dedicando-se a libertar escravos. 

Foi também poeta e jornalista, sempre militando contra o escravismo. Conseguiu libertar mais de 500 escravos e, no fim da vida, estava se convencendo de que precisava usar outras formas de luta para combater o escravismo. 

Morreu seis anos antes da Lei Áurea. Mas seu espírito combina mais com outra data: 20 de novembro, data da morte de Zumbi dos Palmares. Durante o julgamento de um escravo que matou o senhor que o maltratava muito disse: “O escravo que mata o senhor, seja em que circunstância for, mata, sempre, em legítima defesa”. 

 

Mouzar Benedito é escritor, geógrafo e contador de causos 

Edição: Laís Melo