Opinião

Editorial | Um time que joga contra o Brasil

Bolsonaro promete não apenas aprofundar as políticas neoliberais, mas ampliar o braço repressivo do Estado

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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A pecuarista Tereza Cristina (DEM-MS), escolhida para o Ministério da Agricultura, é conhecida entre os colegas como “musa do veneno” / Marcos Oliveira / Agência Senado

O governo de Jair Bolsonaro (PSL) inaugura um novo período, que exigirá extrema atenção de todos. Viveremos uma disputa que envolve o uso estratégico e ilegal das novas tecnologias de comunicação.

O time de governo montado por ele joga contra o Brasil e contra os mais pobres. Bolsonaro promete não apenas dar continuidade e aprofundar as políticas neoliberais, levadas a cabo pelo fantoche Michel Temer, mas também endurecer e ampliar o braço repressivo do Estado. Para isso, diminuirão cada vez mais as margens democráticas e aumentarão a repressão e a censura aos meios de comunicação, às organizações políticas e sociais da classe trabalhadora e principalmente ao povo mais pobre.

O aumento da presença militar em nosso território demarca um retorno ao passado. É mais um elemento que anuncia o caráter conservador e repressivo, mais um sinal do rompimento com o pacto democrático conquistado pela Constituição Cidadã de 1988.

Até agora, todos os ministros anunciados são pessoas de extrema direita.  As políticas econômicas confirmam a aceleração das privatizações. Vêm por aí mais contrarreformas que retiram direitos e aumentam a precarização do trabalho.

A reforma da Previdência é a primeira iniciativa, e atingirá o povo em cheio. Fiquemos atentos: o governo lançará mão de estratégias que buscarão convencer os jovens, as mulheres e os nordestinos, segmentos nos quais encontra maior resistência contra o desmonte da aposentadoria.

Musa vai envenenar a população brasileira

Uma das definições do dicionário para “musa” é “o que pode inspirar um poeta”. Já “veneno” significa “substância que mata seres vivos ou os torna doentes”. A nova Ministra da Agricultura de Bolsonaro, a deputada e pecuarista Tereza Cristina (DEM-MS), é conhecida entre os colegas como “musa do veneno”.

Cristina estreou em 2015 como deputada federal. Ela é líder da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), também conhecida como “bancada ruralista” (que reúne 227 dos 513 deputados). No Congresso, a deputada ajudou a barrar investigações sobre denúncias de corrupção que envolviam governo Temer.

A “musa do veneno” reverencia o seu deus agronegócio. Seu projeto de lei, conhecido como “PL do Veneno”, aumentará enormemente o uso de agrotóxicos nas lavouras, como se não fossem substâncias mortais para seres vivos. O projeto (ainda em tramitação) é criticado por órgãos de saúde, pesquisadores e ambientalistas, que temem riscos à saúde pública e à vida da população.

 

Edição: Elis Almeida