Machismo

Editorial | A pouca presença de mulheres nos ministérios de Bolsonaro

Única mulher eleita é representante da bancada ruralista e conhecida por defender o aumento do uso de agrotóxicos

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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O presidente eleito, Jair Bolsonaro, durante anuncio do deputado Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) como ministro de Saúde / Rafael Carvalho/Governo de Transição

Bolsonaro já tem definidos 13 dos possíveis 15 a 19 ministérios. Até agora, o perfil dos escolhidos é masculino, branco, militar e de caráter privatista. Os militares têm a maior inserção no poder executivo desde o período da ditadura. Um exemplo é a secretaria de governo, responsável pela articulação entre ministérios, parlamento e coordenação de governo, destinada ao general Carlos Cruz. Outros três militares ocuparão o Gabinete de Segurança Institucional (General Augusto Heleno), o Ministério da Defesa (General Fernando Azevedo e Silva), e o Ministério de Ciência e Tecnologia, (Tenente-Coronel Marcos Pontes). 

Já a única mulher eleita é representante da bancada ruralista e conhecida por defender o aumento do uso de agrotóxicos no país. Ainda que seja mulher, Tereza Cristina está longe de defender pautas que promovam a igualdade de gênero. Por tudo isso, os ministérios de Bolsonaro anunciam a crônica de uma tragédia anunciada. 

Erramos: 

No editorial da edição 103, nos referimos à Tereza Cristina como “musa do veneno”. O termo cunhado por seus colegas de Câmara representa uma posição machista ao se referir à futura ministra. Reconhecemos nosso equívoco ao reproduzir o termo. Devemos questionar as posições da ministra indicada, mas de forma alguma trazer expressões que rebaixem ou desqualifiquem seu gênero.

Edição: Naiara Bittencourt