CONTRADIÇÃO

Em meio às idas e vindas da formação do governo Bolsonaro, um agressor de mulheres

O deputado eleito paraibano, Julian Lemos, tem 3 processos da Lei Maria da Penha e um de estelionato

Brasil de Fato | João Pessoa (PB)

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Julian Lemos (PSL) foi eleito como deputado federal pela Paraíba. / Divulgação/Facebook.

Os episódios de vai e vem do governo Bolsonaro já dão dicas do desencontro de ideias que o futuro governo dele será. Em poucos dias que estamos acompanhando a composição de sua equipe de transição, as informações vão e vem e se desmancham no ar. É como se as palavras dele não tivessem importância, é assim que ele se comporta, no entanto, sendo chefe da nação, as palavras tem sim um peso, mudam a economia e servem como medida do que pode ou não caber em sua administração. Eleito para combater a corrupção e varrer do Brasil a injustiça e a criminalidade, Bolsonaro indicou para sua equipe de transição nomes ligados a escândalos de caixa dois, como o coordenador da transição de governo, Onix Lorenzoni, que admitiu ter recebido propina da JBS e que o Juiz Sérgio Moro disse não haver problemas quanto a isso, por ele ter admitido tal crime. As contradições não param por aí. 

Aqui da Paraíba

Para envergonhar a Paraíba, Julian Lemos (PSL) foi nomeado como parte da equipe de Transição de Bolsonaro. Apesar de eleito deputado federal pelo PSL da Paraíba,  com 71.899 votos, tem em seu currículo uma condenação por estelionato em primeira instância em 2011, que prescreveu antes de novo julgamento; e três processos por violência doméstica entre os anos de 2013 e 2016, dois relacionados a sua ex-mulher, Ravena Coura, que mudou o depoimento na Justiça, e outro relacionado a sua irmã, Kamila Lemos, onde processo segue em andamento. Em reportagem publicada em março de 2018, Julian Lemos, originalmente registrado pelo nome de Gulliem Charles Bezerra Lemos, disse que a Lei Maria da Penha é um instrumento “tanto de defesa da mulher quanto de vingança". Em um país que parece ter apostado em mudança para combater corrupção e dar mais segurança à população, a aposta de Bolsonaro em nomes ligados a crimes e caixa dois, demonstra o engano da população que apostou em um novo, que tem velhas práticas. É importante lembrar que João Pessoa é a 3° capital onde mais mulheres são assassinadas e que é realizada, em escala mundial,  de 25 de novembro, Dia Internacional da Não Violência contra a Mulher, a 10 de dezembro, data em que foi proclamada a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a campanha internacional pelo fim da violência contra as mulheres.

Diz e desdiz

As estratégias de Bolsonaro continuam focadas na comunicação, o governo eleito anuncia e desanuncia, mente e se desmente, mas mesmo assim, foi a proposta viável escolhida por 56 milhões de brasileiros e brasileiras. Bolsonaro disse que queria mexer na metodologia de pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no entanto o IBGE se manifestou dizendo que a pesquisa de desemprego realizada pelo órgão segue os padrões internacionais. O futuro presidente do Brasil também disse que queria fiscalizar a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), mas a presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira (Inep), responsável pela aplicação do Enem, se pronunciou afirmando que o governo não manda no Enem, pois o Inep é independente. Tudo isso pode soar estranho, mas é pouco perto das mudanças anunciadas para a política externa do país. O Programa Mais Médicos é um exemplo disso. O anúncio do fim da participação dos cubanos no Programa deixou milhares de municípios brasileiros sem acesso à saúde. Sob o argumento de estar preocupado com os direitos trabalhistas dos médicos cubanos, Bolsonaro, que durante a campanha eleitoral declarou que os trabalhadores brasileiros tinham que escolher entre direitos e empregos, causou um problema na política externa ao ameaçar a presença dos médicos cubanos no Brasil. 

Palavras são ações nas relações internacionais e tem efeito prático

Anúncios como a fusão do Ministério de Meio Ambiente com o da Agricultura, o fim do Ministério do Trabalho, do Esporte, além de causar confusão, causaram prejuízos à economia. O anúncio de rompimento de relações do Brasil com o Mercosul e a China e a decisão de deslocar a embaixada do Brasil, em Israel,  de Tel Aviv para Jerusalém, causaram uma verdadeira desconfiança com os principais mercados que compram produtos brasileiros; com a China, que é o maior comprador da soja brasileira, e a Argentina, maior compradora de frangos brasileiros, além do Egito, que se recusou a receber comitiva de empresários brasileiros ao saber das opiniões de Bolsonaro quanto à mudança da embaixada brasileira para Jerusalém. 

Edição: Heloisa de Sousa