ARTIGO

Treinamento Militar RLAM: Soberania Nacional ou Entrega do Patrimônio Brasileiro?

Se o Exército for realmente brasileiro, vai atuar junto com 78% da população que é contra a venda da Petrobrás

Belo Horizonte

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"Não só nosso petróleo está em disputa, estão também nossas instituições, dentre elas o próprio Exército Brasileiro" / Sindipetro MG

Entre os dias 19 a 23 de novembro, ocorreram treinamentos militares na Refinaria Landulpho Alves (RLAM), localizada no município de São Francisco do Conde, na Bahia. Claro que a Petrobrás e suas refinarias são de extrema importância estratégica, logo, entendo a necessidade de militares treinados para defender esse grande patrimônio brasileiro. O que me deixa intrigado é a escolha de uma refinaria que está dentro do projeto de privatização (desinvestimentos, reposicionamento ou qualquer outro nome bonito que os gestores gostam de colocar). Seriam treinamentos para garantir a soberania nacional ou para garantir a execução da privatização da Petrobrás?

Se o Exército for realmente brasileiro, como a Polícia Militar (PM) de Minas Gerais foi realmente mineira em 1999, no episódio de tentativa de privatização da usina de Furnas, vai atuar junto com os trabalhadores e trabalhadoras da Petrobrás e com 78% da população que é contra a venda dessa empresa para estrangeiros. Mas, caso a Escola de Chicago esteja no comando também do Exército brasileiro, problemas que são inerentes à intervenção de forças militares contra interesses da população acontecerão. 

Como exemplo, lembremos da greve dos trabalhadores da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) em 1988. No dia 4 de novembro de 1988, os trabalhadores da CSN decidiram entrar em greve e, no dia 7 de novembro, a diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de Volta Redonda promoveu a ocupação da empresa para paralisar as atividades. No dia 9 de novembro, o Exército e a PM invadiram a unidade. Em meio à ação militar, três operários foram mortos. A greve ainda se prorrogou e somente finalizou no dia 24 de novembro com parte das reivindicações dos trabalhadores atendidas. Devido à repressão do Exército, a greve de 1988 ficou conhecida como "o Massacre de Volta Redonda”.

Mesmo com todas as contradições, a relação histórica dos militares com a Petrobrás é de proteção a esse setor estratégico, não é a toa que seis refinarias foram inauguradas durante o período militar. O problema é que não só nosso petróleo está em disputa, estão também nossas instituições, dentre elas o próprio Exército Brasileiro. 

Com a aplicação do modelo econômico privatista em curso no Brasil, o Exército, força coercitiva do Estado, será convocado para trabalhar para quem o Estado estiver trabalhando, ou seja, para os estrangeiros. Por isso, a preocupação com treinamentos militares em bases que estão em projeto de privatização. Nós, trabalhadores e trabalhadoras da Petrobrás vamos defender o patrimônio nacional, isso é certeza. A dúvida é somente se esse processo será com o apoio do Exército Nacional ou contra um "Exército Estrangeirado". Muitas vezes os verdadeiros patriotas não usam o verde e amarelo ou fardas, usam por exemplo o laranja, cor do uniforme dos trabalhadores e trabalhadoras da Petrobrás que construíram e desenvolveram esta empresa, descobriram o pré sal e trabalham árduo para defender o petróleo para os brasileiros. Esses verdadeiros patriotas sabem que defender a Petrobrás é defender o Brasil.

Edição: Joana Tavares