VIOLÊNCIA POLICIAL

Advogado negro é novamente vítima de violência policial em Curitiba

Abordagem foi abusiva em local de jovens e integrantes do movimento hip-hop

Brasil de Fato I Curitiba (PR)

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É a terceira vez em dois anos que Almeida é vítima de agressão policial / Giorgia Prates

Renato Almeida Freitas Jr, advogado e ativista do movimento negro de Curitiba, foi preso mais uma vez de forma arbitrária, desta vez pela Polícia Militar, no dia 5, na chamada “Praça do Gaúcho”, centro de Curitiba, reduto de jovens e integrantes do hip-hop.

É a terceira vez em dois anos que Almeida é vítima de agressão policial, no contexto de sua atividade política. Anteriormente, em 2016, foi preso pela Guarda Municipal (GM) enquanto panfletava para sua campanha a vereador na capital. Neste ano, nova agressão da GM quando ele fazia campanha na condição de candidato a deputado estadual.

Segundo relato de Almeida, ele aguardava uma reunião no local, ao lado de quatro jovens. Todos foram abordados e o policial exigiu a saída imediata do local. Almeida se recusou, alegando o direito de ir e vir, estar em espaço público e a necessidade de participar da reunião – além de se apresentar como advogado.

Foi levado de forma arbitrária para um módulo policial administrativo no centro da capital, onde ficou por 40 minutos. O jovem ainda foi agredido e sofreu ameaças de morte. “Me algemaram, me jogaram na viatura e me prenderam. Na delegacia eles me bateram, me deram soco na costela e no estômago”, relata.

“É um misto de perseguição individual, concreta, da minha figura, pelo que eu represento na minha luta, pelo fato de eu já ter sido preso por eles, há um desgaste com eles. Mas principalmente a perseguição genérica a jovens, negros, como eu, porque aí sim é o racismo”, denuncia.

Edição: Ana Carolina Caldas