Educação

Contra censura, professores e estudantes relançam a frente “Escola Sem Mordaça”

Grupo pretende intensificar mobilização social contra PL Escola sem Partido, que tramita na Câmara

Relançamento da Frente Nacional Escola sem Mordaça, na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF)
Relançamento da Frente Nacional Escola sem Mordaça, na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF) | Crédito: Cristiane Sampaio

Professores e estudantes relançaram, nesta quarta-feira (5), na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF), a Frente Nacional Escola Sem Mordaça, criada em 2016 em referência à luta contra o Projeto de Lei (PL) 7180/2014, conhecido como “Escola sem Partido”.  

Segundo eles, o objetivo é simbolizar e intensificar a resistência social à medida, que propõe censura nas salas de aula. O grupo também lançou um manifesto reforçando a oposição da comunidade educacional ao projeto, que é articulado por diferentes atores conservadores, incluindo setores evangélicos e movimentos de direita.

O documento defende que a escola precisa ser respeitada como espaço democrático de pluralidade, que valoriza a liberdade de pensamento. O argumento contrasta com o texto do PL, que propõe, por exemplo, o veto ao ensino de temas relacionados à orientação sexual e à igualdade de gênero, entre outros.  

Raquel Dias, professora da Universidade Estadual do Ceará (Uece) e integrante da direção do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (IES), destacou que o projeto limita o repasse dos diferentes conteúdos que dizem respeito ao processo educacional.

Além disso, a dirigente afirmou que a medida ofende o magistério e a capacidade de articulação dos professores.

“O objetivo desse projeto é cercear não só a liberdade de ensino, mas também de opinião e de expressão dos professores, e coibir a liberdade de organização num contexto em que a escola pública, principalmente, está sucateada e enfrenta vários problemas que fazem parte do cotidiano dos professores”, afirma.

O universitário José Júnior, estudante do Instituto Federal do Pará, apontou que, ao restringir o trabalho dos professores, o PL também limita a formação dos educandos.

Membro da Federação Nacional dos Estudantes de Ensino Técnico (Fenet), ele ressalta que a proposta compromete o direito à informação. Os conteúdos relacionados à educação sexual, por exemplo, que dizem respeito à prevenção de doenças, poderiam ser deixados de lado em caso de aprovação final do projeto.

José Júnior sublinha ainda que o veto aos conteúdos de gênero tende a prejudicar o debate sobre pautas como a violência contra a mulher e o assassinato da população LGBT. “Nós, estudantes, acreditamos que temos o papel fundamental de debater esses temas, porque a escola é o principal instrumento para trazer pra sociedade a reflexão, e para, acima de tudo, transformá-la”, completou.

O Projeto de Lei (PL) 7180/2014 está em tramitação na Câmara dos Deputados.

Editado por: Daniel Giovanaz

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