Clima

COP 24: Evento acontece na Polônia e discute metas de controle em mudanças climáticas

Governo Bolsonaro indica retrocessos no setor ambiental; Brasil retirou candidatura para sediar COP 2019

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |
Conferência das Partes, conhecida como COP, edição 24, acontece na Polônia para discutir mudanças climáticas
Conferência das Partes, conhecida como COP, edição 24, acontece na Polônia para discutir mudanças climáticas - Richard Dixon/FoE Scotland

Desde o dia 2 de dezembro, representantes de 195 países se reúnem na Polônia para a COP 24º (Conferência das Partes), que acontece por conta da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. O encontro termina nesta sexta-feira (14) e acontece anualmente em diferentes países com o objetivo de debater pautas as implementações do Acordo de Paris. Em 2019, o Brasil estava cotado para sediar o evento, mas o governo comunicou oficialmente a retirada da candidatura, alegando questões orçamentárias. A atitude, porém, vai na contramão mundial de desenvolvimento sustentável. 

A ecologista Maureen Santos, que está presente na Conferência, afirma que “a notícia que o Brasil desistiu sua candidatura para sediar a COP 25º teve muita repercussão semana passada e continua tendo nos últimos dias", ressalta. "Em debates esse tema é falado com preocupação, no sentido de qual o simbolismo dessa decisão brasileira, o que representa em relação ao futuro da participação do Brasil no Acordo de Paris”, explica.

O Acordo de Paris tem como principal objetivo formular metas de redução das emissões de gases de efeito estufa, com compromisso de manter o aumento da temperatura média global abaixo de 2°C. Cada país estipula as próprias regras e o modo como pretende atingir os objetivos do Acordo. O Brasil, por exemplo, se comprometeu a aumentar a participação de bioenergia sustentável na sua matriz energética para aproximadamente 18% até 2030, além de restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares de florestas. 

Neste sentido, Maureen, que também é pesquisadora da Plataforma Socioambiental do Brics Policy Center, relata que a indicação do presidente eleito Jair Bolsonaro do advogado Ricardo de Aquino Salles para novo ministro do meio ambiente tem preocupado membros da sociedade civil latino americana no COP. O principal ponto de angústia é a postura brasileira nos próximos anos perante questões ambientais. Apoiador dos ruralistas, Salles é investigado por fraude ambiental e já fez declarações violentas contra o MST. 

Além disso, o governo de Bolsonaro indica atitudes que prejudicam a maior biodiversidade do planeta, a Amazônia. A floresta, que ocupa grande parte do território brasileiro, é responsável por ajudar a manter o equilíbrio climático global. No ano de 2018, a Amazônia teve um aumento de 13,7% no desmatamento em relação ao ano anterior, segundo dados divulgados pelo Ministério do Meio Ambiente.

 Para Maureen, a Amazônia tem relevância na COP, ainda que as questões suscitadas não tratem apenas da questão brasileira.“É uma floresta que é compartilhada pelo Brasil com mais 9 países. Obviamente, o Brasil detém a maior parte das terras, dispostas em áreas indígenas e de população tradicional. A negociação não fala só da amazônia, mas de uma negociação global, que envolve o Brasil. Houve uma repercussão negativa da desistência do Brasil na COP e o tema acaba aparecendo na mídia e também nas falas públicas de pessoas da sociedade civil ou do setor privado, no sentido de preocupação com o aumento do desmatamento na Amazônia”, analisa.

Apesar de o futuro da política brasileira demonstrar que o país caminha para uma contramão nas questões de respeito ao meio ambiente, a ecologista ressalta que, do ponto de vista das negociações no evento, a delegação brasileira se mantém ativa e trabalhando para fechar os acordos. 

Edição: Guilherme Henrique