COMÉRCIO

Economia solidária mostra que outro modelo de sociedade é possível

Cooperativas e pequenos negócios também são uma forma de driblar o desemprego

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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Pequena empresa de cosméticos naturais é autogestionada por quatro mulheres / Divulgação

É possível dentro da nossa sociedade a existência de um sistema econômico que não tenha o lucro como a principal “força motriz”? Fugir das estruturas estabelecidas é um desafio para aqueles que buscam uma outra forma de comercializar, produzir e consumir. 

A economia solidária tem conquistado cada vez mais espaço. Cooperativas e pequenos empreendimentos que, muita das vezes, surgem como uma alternativa para driblar o desemprego no mercado de trabalho, têm se tornado uma opção viável para muitas pessoas que preferem apostar em negócios próprios organizados pela autogestão.

A Babassu Bioprodutos é um exemplo disto. Há três anos a marca de cosméticos natural tem investido na produção artesanal e ecológica de produtos como xampu, sabonete, repelente, desodorante e condicionador para um público que está interessado em um consumo consciente e sustentável.

A bióloga Clara Machado é a idealizadora da marca que, ao longo dos anos, passou por transformações na identidade visual e aprimorou a formulação dos cosméticos. Hoje a Babassu conta com uma equipe formada por quatro mulheres que participam diretamente de todos os processos de produção. De acordo com Clara, o empreendimento conta com parcerias de pessoas que estão alinhadas à proposta ecológica da Babassu. 

“Fazemos muito escambo, precisamos de uma designer para fazer a nossa identidade visual e pagamos uma parte com produtos, buscamos essas parcerias que não são estritamente financeiras, mas que se alinham com a gente”, explica. 

Ainda na busca para conquistar o seu espaço no segmento de saúde e beleza, a Babassu tem apostado em produtos 100% artesanais desde a sua base. O óleo de babaçu que é utilizado para a produção de sabonetes e xampus vem de uma cooperativa de quebradeiras de coco babaçu no estado de Tocantins.

“A Babassu é um processo educativo porque as vezes vemos numa feira cosméticos que não são tão naturais como os nossos, têm a base pronta, muitas vezes ele têm lauril sulfato e a pessoa só aromatiza a base, mas o processo não é natural. Se o cliente não tiver esse conhecimento não valoriza”, destaca. 

Políticas Públicas

Assim como a Babassu, outros empreendimentos da economia solidária buscam se fortalecer a partir das relações de troca. Contudo, o fomento de políticas públicas para o setor é fundamental para garantir condições adequadas de trabalho para os pequenos empresários. 

O deputado estadual Waldeck Carneiro (PT), preside a Frente Parlamentar de Economia Solidária da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Na semana passada, os deputados aprovaram, a partir da Frente, o Projeto de Lei 2210-A/2016 que institui a política estadual de economia solidária, de autoria do próprio Carneiro e outros três parlamentares, e o Projeto de Lei 3773-A/2018 que autoriza a criação do Circuito Fluminense de Economia Solidária. 

Para o deputado, a economia solidária no estado do Rio de Janeiro deve ser tratada como área estratégica de desenvolvimento pelo governo por concentrar boa parte da geração de trabalho e renda. O parlamentar ressalta que as políticas públicas devem pensar também em mecanismos para auxiliar o escoamento dos produtos oriundos do setor.

“Precisamos ter em lugares centrais do estado, na capital, na baixada e no interior pelo menos um grande centro regional de economia solidária que sirva como ponto de referência para a comercialização de produtos”, afirma.

Para o parlamentar, a economia solidária é o exemplo de como a sociedade pode criar relações comerciais que não estejam atreladas unicamente ao lucro.

“A economia solidária pauta princípios opostos, em vez de a competitividade, o cooperativismo, em vez do foco no lucro, o comércio justo e a preocupação com a sustentabilidade”, ressalta.

 

Edição: Mariana Pitasse