Em Curitiba

Lula está preso por um projeto político que quer calar sua voz, diz frei Luiz Favaron

Religioso que visitou o ex-presidente nesta segunda (7) acompanha as lutas no campo e na cidade há mais de 30 anos

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Frei Luiz Favaron em conversa com militantes da Vigília Lula Livre, após visitar o ex-presidente / Neudicleia Oliveira

“A gente sente esse sofrimento profundo, de uma pessoa que é injustiçada. Estou plenamente convencido de que Lula é um preso político. Lula é inocente. Eu não acredito no que dizem, que Lula roubou. [Ele] Foi preso por causa de um projeto político de calar esta voz profética aqui no nosso país", disse o frei Luiz Favaron, após visita religiosa ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no prédio da Superintendência da Polícia Federal de Curitiba (PR) nesta segunda-feira (7).

O ex-presidente tem o direito de receber todas as segundas-feiras uma visita religiosa. 

Luiz Favaron possui uma longa trajetória na defesa dos direitos humanos, junto aos trabalhadores organizados do campo e da cidade. Membro da Ordem dos Franciscanos Conventuais e da Comissão Pastoral da Terra (CPT), o frei ajudou a organizar a primeira Romaria da Terra no estado do Paraná, em 1985, no município de Guaíra. 

Ao apresentá-lo para o diálogo com a militância na Vigília Lula Livre, após a visita, Roberto Baggio, integrante da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), ressaltou também o papel do frei na organização do primeiro Congresso Nacional do MST, em janeiro de 1985 – espaço que consolidou os princípios do movimento de luta pela terra. Em sua trajetória, Favaron tem trabalhado junto às Comunidades Eclesiais de Base, além de apoiar também a organização do sindicalismo rural.

Na visita a Lula, o frei contou que conversou com ex-presidente sobre "religião, política, do período de seu governo e sobre família". Entre outros presentes e cartas que Favaron entregou a Lula, estava o livro Jesus: aproximação histórica, de José Antonio Pagola, publicado pela Editora Vozes. Ao presenteá-lo com o livro, o frei afirmou: "Esse é o nosso mestre, e ele continua sendo seu exemplo e sua força nesta luta". Segundo o religioso, Lula "gostou muito" do gesto.  

“Fizemos uma oração, ele fez a comunhão. Foi um momento muito intenso, porque uma das perguntas que eu lhe fiz foi: ‘Lula, como você se sente, ficando aqui? Triste, deprimido?’ Ele falou que de vez em quando passa por esse momento, como qualquer pessoa. Porém, desde que ele chegou ali, ele colocou na cabeça que tem que reagir, e que a luta continua”, relatou.

O religioso ainda pediu uma mensagem para a militância que está em frente ao prédio da Superintendência da Polícia Federal, na Vigília Lula Livre, desde abril. Segundo ele, Lula respondeu: “Diga para eles que, enquanto não desistem, eu também não desisto”.

A relação do frei com o ex-presidente Lula é de mais de 30 anos. Favaron conta que teve vários encontros com o ex-presidente durante as históricas greves no ABC no início da década de 1980, quando Lula era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo (SP). Após ele se tornar presidente da República em 2003, o religioso lembrou que Lula participou todos os anos da missa do 1º de maio, Dia do Trabalhador e da Trabalhadora, em São Bernardo do Campo

Edição: Mauro Ramos