EUROPA

May sobrevive a moção de desconfiança e segue como primeira-ministra do Reino Unido

A consulta foi realizada no Parlamento britânico nessa quarta-feira (16), após a proposta do Brexit ser rejeitada

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Com diferença apertada, o Parlamento britânico decidiu votou pela permanência de Theresa May no cargo de primeira-ministra / Foto: Crown Copyright

Por 325 votos a favor e 306 contra sua continuidade no cargo, a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, sobreviveu a uma moção de desconfiança votada pelo Parlamento britânico nessa quarta-feira (16).

Com esse resultado, May se mantém como líder do governo britânico e ainda cabe a ela conseguir um acordo com os parlamentares a respeito do Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia (UE). 

A consulta foi proposta pelo líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, imediatamente após a histórica derrota do acordo para o Brexit na última terça (15).

Após o anúncio do resultado, a premiê declarou que se reunirá com líderes do Parlamento para rediscutir o divórcio entre o Reino Unido e o bloco. “Estou pronta para trabalhar com qualquer membro desta casa para entregar o Brexit”, afirmou. 

Em dezembro de 2018, May já havia sido alvo de um voto de desconfiança. No entanto, na ocasião, a moção foi movida por membros de seu próprio partido, o Partido Conservador. Alguns de seus correligionários contestaram o modo como ela conduziu as negociações do Brexit. 

Tensões sobre o acordo

Na terça-feira (15), por 432 votos contra e 202 a favor, o Parlamento britânico rejeitou o acordo proposto por May para a saída do Reino Unido da UE. Desde que foi apresentada, em novembro de 2018, a proposta não foi bem recebida pelos deputados do parlamento. Por conta disso, a premiê tentou voltar a discutir os termos do acordo, mas a UE se negou a retornar para a mesa de negociações.

Um dos principais pontos de conflito a respeito da aprovação do texto diz respeito ao possível fechamento da fronteira entre a Irlanda do Norte, que faz parte do Reino Unido, e a República da Irlanda, país independente, membro da União Europeia.

A ausência de fronteira entre os dois territórios é um dos principais arranjos do acordo de paz de 1998, que encerrou os conflitos entre defensores de um único território irlandês integrado à Grã Bretanha e defensores da República da Irlanda como Estado independente.

Com ou sem a aprovação do acordo, o Reino Unido deverá, por lei, deixar a União Europeia até às 23h (horário de Londres) de 29 de março de 2019, data em que deve começar um período de transição, no qual as partes deverão negociar como será a futura relação depois do Brexit. 

A princípio, se não houver acordo até o esgotamento do prazo, não haverá período de transição. Neste caso, o Reino Unido cortaria todos os laços com a União Europeia de um dia para o outro.

Para aliviar as tensões após o resultado da primeira moção, May anunciou que irá deixar o cargo antes das próximas eleições, que acontecerão em 2022. 

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Edição: Luiza Mançano