SEGURANÇA ALIMENTAR

Opinião | Bolsonaro tem fome de quê?

Esperava-se que o fim do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional fosse apenas mais uma “trapalhada”

Brasil de Fato | Recife (PE)

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"Eles estão conscientes e querem que a fome, a pobreza e a miséria voltem a assombrar a população brasileira." / Sérgio Lima/AFP

Logo que assumiu a presidência, Bolsonaro através de uma simples canetada extinguiu o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea). Esperava-se que essa decisão fosse apenas mais uma “trapalhada” dentre as inúmeras protagonizadas por ele, e que ainda no final do dia voltaria atrás, entretanto já se passaram duas semanas e nada mudou. Eles estão conscientes e querem que a fome, a pobreza e a miséria voltem a assombrar a população brasileira.

O debate sobre a fome e suas consequências sócio econômicas não é novo. Ele iniciou há mais de 50 anos atrás com o pernambucano Josué de Castro, que ao longo de vida acadêmica deixou uma vasta produção teórica, dentre elas o livro Geografia da Fome, traduzido em mais de 25 idiomas. Esse olhar crítico e rigor científico dele nos deixou duas importantes lições. A primeira lição é que a Fome não é fruto de um fenômeno ambiental, demográfico, é um problema político; a segunda lição é que para acabar com a miséria presente no Brasil é preciso combater as desigualdades existentes na sociedade.

Desde sua criação em 1993, o Consea teve como horizonte a luta pelo direito à alimentação, bem como a proposição de políticas sociais voltadas para a Segurança Alimentar e Nutricional (SAN), além de políticas e programas destinados a Agricultura Familiar e a Agroecologia. O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) já criados no governo de Lula, são dois grandes exemplos de ações implementadas e que contribuíram para o Brasil sair do Mapa da Fome.

A extinção do Consea é apenas a ponta da lança. O que está apontado para os trabalhadores e trabalhadoras é um arsenal de medidas devastadoras aos direitos sociais. A “cobiçada” reforma da previdência e o já em vigor congelamento dos gastos por 20  anos arrastarão as condições de vida à situações precárias e desoladoras. Ter comida na mesa três vezes por dia é imprescindível, mas o povo tem direito a muito mais que isso!

Para combater a miséria é preciso ofertar políticas públicas, não retirar direitos conquistados. Em momentos difíceis precisamos alimentar nossa solidariedade. É compromisso de todo cidadão e cidadã brasileira lutar pela garantia dos seus direitos. Essa história de “jair se acostumando” não existe! Precisamos assumir nossa lado na história, pois Bolsonaro já tem o lado dele.

*Felipe Sena é biólogo e militante da Consulta Popular

Edição: Monyse Ravenna