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Venezuela: medidas para enfrentar a crise

Conheça algumas ações anunciadas pelo governo, como o plano de recuperação econômica e o Plano da Pátria

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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Intitulado Plan de la Patria, projeto vai de 2019 a 2025 / Foto: Reprodução

Como explicar que, mesmo mergulhado em uma gravíssima crise e sofrendo ataques da oposição e dos Estados Unidos, o governo Maduro ainda não tenha sido derrubado por um levante popular? A resposta, em parte, é o engajamento da população nas medidas que o governo lançou para tentar resistir à crise. Conheça algumas delas. 

Recuperação econômica

Em outubro, o país passou a adotar uma moeda digital, o Petro, a fim de captar recursos para o pagamento de bens e serviços. A criptomoeda é ancorada no preço do barril do petróleo e surgiu para combater o bloqueio financeiro imposto pelos EUA. Desde então, o Bolívar, moeda oficial, passa a ser cotado no valor do Petro. 

Em agosto, o governo iniciou um plano de recuperação econômica prevendo, entre outras coisas, a reconversão da moeda, eliminando cinco dígitos. Para os primeiros meses, também ficou estabelecida uma política de reajustes do salário mínimo. No último deles, no dia 14, um aumento de 300%, passando de 4,5 mil para 18 mil bolívares. Os reajustes são uma tentativa de fazer frente à alta inflação no país, que é a maior do mundo na atualidade. 

Pagamento de gasolina 

Desde o dia 24 de dezembro, entrou em vigor um novo sistema de pagamento de gasolina. O objetivo é dificultar o tráfico de combustível para os países vizinhos, especialmente a Colômbia. O combustível passou a ser vendido pelo Cartão da Pátria, um dispositivo eletrônico que reúne programas sociais e de distribuição de renda oferecidos pelo governo. Também foi lançado um sistema de subsídios para compra de gasolina, atendendo a cerca de 10% da população mais pobre do país.

Repatriamento

Em setembro, a Assembleia Nacional Constituinte lançou o Plano Volta à Pátria. A finalidade é facilitar o retorno de migrantes venezuelanos que deixaram o país por causa da crise e se encontram em situações ainda piores em outros lugares, como o Brasil. De acordo com o vice-ministro de Comunicação do Ministério de Relações Exteriores da Venezuela, William Castillo, nos três primeiro meses, mais de 10 mil pessoas retornaram voluntariamente. 

Plano da Pátria

No dia 14, o governo venezuelano apresentou um programa para o período de 2019 a 2025, intitulado Plan de la Patria. O programa é fruto de discussões em assembleias populares e tem como principais metas: 

- 4 milhões de empregos

- 5 milhões de casas populares

- 4 milhões de partos humanizados

- Fortalecimento de programas de alimentação

- 100% de estudantes matriculados na educação primária e média. 

O legado chavista

Foto: Reprodução

Ao longo de quase 20 anos de governo – primeiro com Chávez e agora com Nicolás Maduro – o chavismo sustenta 23 vitórias eleitorais – só foi derrotado duas vezes. O número expressivo de vitórias se explica pelas transformações políticas, econômicas e sociais proporcionadas. Os indicadores socioeconômicos da Venezuela melhoraram exponencialmente durante esse período:


  • O Gini – índice usado pelo Banco Mundial para medir a desigualdade social – passou de 0,498 para 0,394 (quanto mais próximo de zero, melhor). No mesmo período, o índice brasileiro ficou em 0,520 (3º pior da América Latina).

  • O Índice de Desenvolvimento Humano da Venezuela – medida utilizada pela Organização das Nações Unidas para classificar os países pelo seu grau de “desenvolvimento humano” –ficou na colocação 71º entre 188 países, à frente do Brasil e da média dos índices dos países latino-americanos.

  • O desemprego caiu de 14% em 1999 para 5,5% em 2014.

  • A taxa de analfabetismo foi reduzida de 9,1% (antes do chavismo) para 4,7% em 2015.

  • A expectativa de vida aumentou de 72 anos em 1996 para 75 anos em 2014.

  • A pobreza foi reduzida de 49,4% para 26,4% em 2010.

  • A Venezuela passou a ser o 2º país na América Latina com maior proporção de estudantes universitários, cerca de 10,5 milhões ou 34% da população, ficando atrás apenas de Cuba.

(Com informações de Caio Climaco, cientista do estado pela UFMG, mestrando em Ciências para el Desarrollo Estrategico na Universidade Bolivariana da Venezuela)

 

Edição: Joana Tavares