Exemplo

Biblioteca incentiva socialização e sonhos das crianças no bairro Jaqueline, em BH

Projeto foi criado por trabalhadora doméstica que via poucas oportunidades para os jovens da região

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Não são poucas as iniciativas que mostram o poder transformador dos livros em Belo Horizonte. A capital mineira conta com um grande número de bibliotecas públicas e comunitárias que podem ser aproveitadas por toda a população.
Um dos locais que faz a diferença para a comunidade é a Biblioteca Comunitária Cantinho da Leitura, instalada no conjunto habitacional Residencial das Flores, no bairro Jaqueline, região Norte da cidade. 
Ela foi criada pela moradora Maria Cristina, enquanto ela ainda exercia a profissão de doméstica, há nove anos. Recém-chegada ao conjunto e com dois filhos pequenos, Maria percebeu, na época, que a ociosidade era grande entre as crianças e decidiu que deveria incentivá-las a sonhar. “É sobre plantar sementes. E de girassóis. Para seguir a luz”, define o projeto.
Foto: Maria Cristina da Cruz
Semeando e colhendo
A biblioteca começou com uma salinha pequena cedida pelo centro comunitário, mas a idealizadora buscou parcerias, doações, ONGs e órgãos municipais. Maria chegava a trabalhar em feiras de livros para ganhar exemplares e incrementar o acervo. Hoje, o canto da leitura está com a infraestrutura reformada e atende todo o entorno do residencial, além de ser um espaço de convivência e troca.
Maria tem 53 anos e, talvez não por coincidência, nasceu em 20 de março, Dia do Contador de Histórias. Ela se alegra ao falar do trabalho, que é feito de forma voluntária no horário em que ela não está em seu emprego formal. Atualmente, com os filhos já criados, ela ensina, como monitora, a reciclar e a plantar em uma escola municipal – assim como faz no Cantinho – e deseja ingressar na faculdade para estudar pedagogia. 
“Os meninos que frequentavam o lugar no início agora são pais, e as crianças deles usam a biblioteca. É tudo deles, desses pequenininhos. Quero estimular eles a serem pedreiros, aviadores, professores, juízes”, diz Maria, que tira força e inspiração da obra “A Águia e a Galinha”, do teólogo, escritor e professor Leonardo Boff. “Ele chegou a visitar a nossa biblioteca. Quando veio, em 2009, disse pra gente que saber cuidar é cuidar da mãe terra. Me impulsionou. Foi esse livro que me fez voar”, relembra.
 

Editado por: Joana Tavares

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