Opinião

Editorial | Eles não são capazes de resolver a crise, pois eles são a crise

Em um mundo em crise, governantes ricos que só pensam em si e na manutenção dos privilégios da elite global batem cabeça

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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Trajetória de Bolsonaro como político do baixo clero de Brasília é incompatível com a presidência de um dos países mais importantes do mundo / Alan Santos/Agência Brasil

A elite do mundo se reuniu mais uma vez em Davos, na Suíça. Em sua reunião anual, o Fórum Econômico Mundial traçou um panorama pessimista para as finanças globais nos próximos anos. Houve redução na expectativa de crescimento dos EUA, China e da economia mundial. Há temores de que o mundo entre em uma nova fase de recessão, com o agravamento da crise econômica em curso.

A ausência dos governantes dos EUA, China, Rússia, Inglaterra e França ao Fórum ilustra o delicado acirramento geopolítico atual. Para ampliar as tensões, um novo golpe de Estado se inicia na América Latina, desta vez na Venezuela, importante potência petrolífera da região.

Nesse conturbado cenário, coube ao Brasil papel de destaque em Davos. O presidente brasileiro foi o escolhido para abrir o primeiro dia de conferências. Tal honra sinaliza o tamanho da expectativa que o empresariado deposita no país e em seu novo governo. No entanto, a curta e muito criticada fala de Jair Bolsonaro parece não ter correspondido ao que se esperava.

Bolsonaro mostrou mais uma vez o despreparo que possui para o cargo que ocupa. Sua trajetória como político tradicional do baixo clero de Brasília persiste incompatível com a presidência de um dos mais importantes países do mundo. Falta conteúdo e sobra inabilidade. Até entrevista coletiva para a imprensa mundial foi cancelada sem qualquer justificativa plausível.

Provavelmente, somou-se à falta de capacidade do presidente a enxurrada de graves denúncias que o atingiram nos últimos dias. Com menos de um mês de governo, Bolsonaro já deve muitas explicações ao povo brasileiro.

Só entrada em cena do povo resolve a crise

É preciso que se investigue a fundo o esquema de desvio de recursos públicos praticado nos gabinetes da família Bolsonaro. A contratação de funcionários fantasmas, o uso de laranjas (como o motorista Queiroz) e o incompatível enriquecimento dos Bolsonaro joga por terra o discurso anticorrupção que os elegeu.

Mas, isso parece ser apenas a ponta do iceberg. A prisão de milicianos envolvidos no assassinato de Marielle Franco jogou luz sobre as relações da família Bolsonaro com as milícias do Rio de Janeiro. Ao que tudo indica, a ligação do presidente com o crime organizado é profunda.

Em um mundo em crise, governantes ricos que só pensam em si e na manutenção dos privilégios da elite global batem cabeça. Enquanto isso, os povos do mundo assistem incrédulos ao que parece um grande e trágico teatro, sem saber que só a entrada deles em cena pode resolver de verdade tal crise.

Edição: Elis Almeida