Políticas: assinado por elas

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O texto dessa figura foi inspirado num poema da Joi Gonçalves, de Belo Horizonte
O texto dessa figura foi inspirado num poema da Joi Gonçalves, de Belo Horizonte - Laura Athayde
Conheça o projeto Políticas, desenvolvido para publicar charges políticas produzidas por mulheres

Os quadrinhos são uma parte fundamental da literatura de hoje no Brasil e no mundo. Em território nacional, desde a virada do século, vem crescendo não só a produção de quadrinhos, como o número de artistas que dedicam boa parte do tempo para produzir as chamadas HQs. 

Mas a concepção dos quadrinhos também sofreu mudanças. Apesar de semelhantes, os quadrinhos seguem um padrão de publicação bem diferente da literatura comum. As web comics, normalmente criadas pela técnica de ilustração gráfica e distribuídas pelas redes sociais, na internet, são prova disso. 

Foi nesse contexto que surgiu o Políticas, um projeto desenvolvido em novembro de 2017 pelas quadrinistas Carol Ito e Thaís Gualberto, com participação também da redatora Dani Marino. Ele foi desenvolvido para publicar charges sobre política produzidas apenas por mulheres. 

Dani Marino, redatora do Minas Nerds, explica como começou o projeto:

“Depois da Carol ter ido com a Gabriela Borges (do Mina de HQ) no salão de humor, elas notaram que na exposição não tinha mesmo mulheres participando. Via de regra, as mulheres não são escolhidas quando elas mandam seus trabalhos pros salões de humor”, afirma Dani.

A resistência dos organizadores em dar espaço às mulheres estimulou a criação do projeto. 

“Elas tiveram a ideia de fazer essa página e divulgar o trabalho de cartunistas e chargistas. Nós, mulheres, conhecemos as outras quadrinistas, a gente sabe que tinha mulher produzindo. Mas elas, por algum motivo, não estavam nem no salão de humor, nem nas páginas, nem nos jornais. O Políticas surgiu com o intuito de dar visibilidade a essas mulheres cartunistas”, comenta.

O projeto Políticas funciona pelas redes sociais e atrai um público não só produtor de quadrinhos, mas também consumidor desse tipo de leitura. A jornalista e quadrinista Carol Ito, autora da tirinha “Salsicha em Conserva”, explica como funciona o projeto dentro das redes:

“Temos as páginas no Facebook e Instagram. Colocamos nos posts "envie seu trabalho" e disponibilizamos um email para recebê-los. Há uma breve curadoria, mas, em geral, estamos abertas para novos estilos, mesmo que a pessoa não seja profissional dos quadrinhos”, relata.

A intenção da página, segue Carol, é dar espaço para novas formas de pensar e fazer. 

“ Ainda que a pessoa não use os recursos digitais avançados, nós publicamos por entender que, nessa área do cartoon político, a idéia é o mais importante. Se a ideia for boa e trouxer uma crítica ou reflexão, a gente publica”, comenta.

A falta de visibilidade do trabalho feminino nos quadrinhos se deve a fatores distintos. Dani Marino explica que, além do machismo, a arte produzida por mulheres não tem o mesmo alcance do que é produzido por um homem. 

“ O primeiro ponto é o machismo. Você tem uma comissão julgadora formada só por homens, e certas obras ou publicações não sensibilizam esses homens. Eles não consideram que seja uma coisa universal, ou que diga a respeito a eles, como outras obras. Quando uma mulher produz e assina com o nome dela, aquilo é considerado "arte feminina" Homens já me disseram que mulheres não produzem obras na mesma qualidade que a deles.”, confessa Dani Marino

O projeto Políticas pode ser encontrado no Facebook e no Instagram. E seguirá divulgando os trabalhos de mulheres incríveis dentro desse ramo de cartoons. 

Porque… bem. Mulher não só faz quadrinhos, como também fala sobre política. 

Edição: Guilherme Henrique