Esporte

Coluna Curto e Grosso | As eternas desigualdades do futebol brasileiro

O mérito esportivo sempre conta com o auxílio fundamental dos recursos provindos dos patrocinadores e da TV

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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Estádio Helenão, em Juiz de Fora (MG) / Foto: Sanderson

O início de temporada, com os estaduais bombando, é um bom momento para destacar as desigualdades do futebol nacional. Aqui em Minas, Galo e Raposa sempre despontam como favoritos e, na maioria dos estados, existe um pequeno pelotão de elite, de no máximo quatro clubes, que arrancam como principais candidatos.

Mas os favoritos dos estaduais de Pernambuco e Minas Gerais, por exemplo, nunca estão em pé de igualdade no Campeonato Brasileiro da série A. Por que isso acontece? Principalmente por causa da circulação de dinheiro.

Os clubes mais ricos do Brasil se concentram no sul e no sudeste, regiões mais desenvolvidas do que outras. Por causa disso, historicamente, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas e Rio Grande do Sul obtiveram as maiores conquistas esportivas, o que ajudou a aumentar o número de torcedores dessas equipes.

Some-se a isso que, hoje em dia, a torcida passou a ser vista por clubes e empresários que lidam com o futebol como um mercado consumidor. O maior número de consumidores/torcedores, concentrados nas regiões mais povoadas e desenvolvidas, faz com que os contratos de patrocínio e as cotas de televisão para os grandes clubes só aumente a diferença destes para os demais clubes de seus estados ou do Brasil.

Vamos a exemplos concretos. Em Minas, Cruzeiro e Atlético receberão R$12,7 milhões, cada um, de cotas da TV Globo no Campeonato Mineiro 2019. Logo abaixo, o América receberá R$ 3 milhões (cerca de quatro vezes menos). A cota dos demais clubes é de R$ 900 mil.

Agora, comparemos esses números com os do Campeonato Pernambucano: Santa Cruz, Sport e Náutico, o trio de ferro do Recife, receberá R$1 milhão de cotas, cada um. R$143 mil é a cota dos outros sete times do Pernambucano.

Como se vê, o mérito esportivo sempre conta com o auxílio fundamental dos recursos provindos dos patrocinadores e da TV. Nesse cenário, a competitividade fica limitada, embora não impeça que apareçam os azarões de sempre.

Edição: Wallace Oliveira